terça-feira, 21 de abril de 2009

Vamos pensar a Europa!

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Bastou-me assistir à segunda parte do programa da RTP, Prós e Contras, para apanhar o mote e avaliar as prestações dos nossos candidatos e, bem assim, dos nossos partidos.

O programa constituiu um excelente exemplo do país actual e do espírito videirinho que se instalou. Ruído e mais ruído, vácuo e vazio de ideias e de valores. Parecia que nos encontrávamos na assembleia geral de um clube de futebol.
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Uma total e completa ausência de questões europeias, uma total e completa abundância de questões laterais, vazias de contéudo e inconsequentes; o apoio ou não apoio a Durão Barroso, a questão das quotas de mulheres, a questão das candidatas autárquicas que não pretendem abdicar do conforto europeu, a avaliação ou não avaliação da actuação do Presidente da Comissão, etc. Questões pertinentes, sem dúvida, mas será que foram colocadas ou debatidas no local mais apropriado?
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Tivemos ontem um exemplo vivo do estado actual da nossa sociedade; conflituosa, áspera, beligerante, assintosa, rasteira, mediana e redundante, desconfiada e vazia. Este espírito espelha a qualidade da nossa política, revela a imensa necessidade de mudança, a extraordinária importância da reposição de valores de seriedade, de verdade, de altruísmo. Não é por acaso que se instala um clima desta natureza. Aqueles que deveriam constituir um exemplo, aqueles que deveriam funcionar como referências de isenção e de seriedade são os primeiros a vacilar, são os primeiros a cair na teia de interesses e benesses, favores e mordomias, mentiras e falcatruas. Um ambiente desta natureza contamina, contagia e faz apodrecer um país.

Tenho pena que não se tenham discutido temas relevantes e com repercussões para o futuro da União Europeia. Como reagiu a União à crise económica que se faz sentir? Serão estas as melhores opções para lidar com o desemprego e a recessão? Como lidar com a situação complexa em que vivem alguns dos recém chegados à União? Qual o papel do estado e qual a melhor estratégia de actuação? Qual a melhor forma de tirar partido de uma união politica e económica? Quais os critérios e a metodologia para a atribuição de subsídios e ajudas actuais? Quais os perigos e as vantagens da União Europeia actual? Porque é que os portugueses devem votar nestas eleições?

Na realidade, para o português médio que vive momentos de grande dificuldade, que se vê numa situação de desemprego e sem perspectivas de mudança, com graves dificuldades de sobrevivência, quais são as vantagens de pertencer a uma União, e existem várias, versus estar a solo num país cada vez mais inconsequente e irrelevante?

Estou certo de que o debate de ontem não serviu a ninguém, foi antes mais um exemplo do distanciamento do país político em relação ao país real e, se alguém saiu reforçado, foi certamente a abstenção.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Smart(G)ates

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Pouco a pouco, a nova administração americana está a ganhar à vontade e confiança. Depois de uma entrada bastante marcada pelo pacote económico anti-crise, chegou a altura de se começarem a delinear as bases para as tão esperadas mudanças em áreas vitais como a saúde, a educação e a defesa.

Os Estados Unidos são de longe o país que mais gasta em termos militares, e o investimento nesta área alimenta uma indústria gigantesca e tentacular, com grande influência sobre o poder político e, obviamente, grande relevância económica em termos de emprego e de riqueza gerada, um pouco por toda a América. A título de exemplo, o orçamento de defesa para 2009 corresponde a 655$ biliões, ou seja, mais do que os orçamentos de defesa da China, da Rússia, da França e da Inglaterra juntos.

Face a este cenário, a política de redefinição militar esperada e perspectivada por esta administração aponta num claro sentido de redução e reestruração do orçamento e dos gastos militares. Robert Gates, o secretário da defesa, que transita da anterior administração, dá sinais claros de querer enfrentar o lobby do armamento e o lobby militar. As perspectivas são de redimensionamento e a aposta é na adaptação do poder militar à realidade dimensional dos potenciais adversários. O avanço tecnológico e a flexibilidade de movimentos serão, na minha opinião, as preocupações.

Fareed Zakaria, mais uma vez, na sua crónica brilhante da Newsweek, escreve sobre esta matéria e deixa-nos algumas reflexões sobre a capacidade e as dificuldades que Robert Gates irá enfrentar. Reproduzo aqui este artigo clarificador.


Is Robert Gates A Genius?
Published Apr 11, 2009, Newsweek Magazine


"When a true genius appears," the English satirist Jonathan Swift wrote, "you may know him by this sign; that all the dunces are in confederacy against him." Genius might be a bit much as a description of the secretary of defense, but Robert Gates's budget proposal has certainly gathered all the right opponents. There are the defense contractors, worried that decades of fraudulent accounting are coming to a halt; the Beltway consultants for whom the war on terror has been a bonanza; the armed services, which have gotten used to having every fantasy funded; and the congressmen who protect all this institutionalized corruption just to make sure they keep jobs in their state.

If you're wondering where to come down on the Gates plan, here's a simple guide: John McCain, the most thoughtful, reform-minded legislator on military issues, "strongly supports" it. Oklahoma Sen. James Inhofe—who has compared the EPA to the Gestapo, Carol Browner to Tokyo Rose and environmentalists to the Third Reich—warns that it will lead to the "disarming of America." You choose.

In recent decades, defense budgeting has existed in a dreamland, where ever-more-elaborate weapons are built without regard to enemies, costs or trade-offs. In 2008 the General Accounting Office said cost overruns for the Pentagon's 95 biggest weapons programs—just the overruns!—added up to $300 billion. The system has become so pervasive and entrenched that most people no longer bother to get outraged.

The endless flow of cash from the taxpayer has prevented strategic thought. Much of the Pentagon budget is based on wish lists from the services, often lists that were conceived during the Cold War. The Air Force developed such a strong attachment to its F-22 fighter-plane program that it failed to notice that the Soviet Union had collapsed and no great-power rival was around to get into dogfights with the U.S. military. We're fighting two wars right now, and not one of the 135 or so F-22s that we already have is being used in either theater. If you're wondering why the program is still around, here's one reason: its manufacture has been spread across 44 states.

Gates also trims the Navy's wish list, cutting its destroyer program. But here his ambition suddenly dried up. He did propose that the United States scale back one of its aircraft-carrier groups, going from 11 to 10—but it will happen 31 years from now! Even so, of course, he faces the usual conservative opposition. The Wall Street Journal worries that a 300-ship Navy is "perilously small." In the recent clash with Somali pirates, it points out that U.S. warships were "hours away." Well, if you've traveled by sea, you'll know that ships move slower than planes. Given the vastness of the oceans, the fact that American naval vessels could reach a relatively nonstrategic location within a few hours is actually a sign of the incredible reach of the Navy, not the opposite.

Gates has really just begun a much-needed process of rethinking American defense strategy after the Cold War. He has focused sensibly on the wars we are actually fighting, to make sure the military is equipped to wage them success- fully. But while we don't need the F-22, we are still going to make 2,443 F-35s at an eventual cost of $1 trillion. Do we really need those? What is the thinking behind that program?

American military budgets should be based on two competing imperatives. The first is that we are likely to be engaged in small, complex conflicts with much weaker opponents in difficult terrain. In other words, Iraq and Afghanistan. The Gates budget makes intelligent provision for these kinds of wars—in which manpower and intelligence are key. The second requirement is deterrence. The U.S. military protects global sea lanes and, in a general sense, preserves the peace. If the Somali pirates were to cause too much trouble, eventually it would be the United States military that would help tackle them. If the Chinese were considering offensive actions in Asia, it is the American response that would make them cautious.

But these imperatives can surely be satisfied with a military that is leaner, more cost-effective, more efficient and does keep somewhere in mind the capacity of potential adversaries. The U.S. Navy has 11 aircraft-carrier groups. China has zero. The U.S. defense budget for 2009 is $655 billion. China's is $70 billion, Russia's is $50 billion. America's cumulative cost overruns add up to more than the total annual defense budgets of China, Russia, Britain and France combined. This smacks less of deterrence and more of mindless extravagance and waste.

Coming up next for Gates is the Quadrennial Defense Review. He should take the opportunity—his last one to leave a long legacy—and move the United States toward a military strategy that is shaped by the world we actually inhabit. That would make him a true genius. He will certainly have all the dunces arrayed against him to prove it".

Fareed Zakaria, in Newsweek

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Encravada nos Rochedos

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É sempre uma tranquilidade regressar ao Alentejo. Aquela imensidão imensa, aquele olhar cansado. Talvez por ser ilhéu ou apesar desta circunstância nutro um enorme carinho pelo Alentejo. A planície inspira-me, a profundidade tranquiliza-me; as oliveiras, os sobreiros, o gado disperso, o casario ausente e aquele cheiro intenso a terra e feno.

São vários aqueles que se deixam inspirar por esta terra sem fim. O Alentejo é um estado espírito, uma predisposição e por isso são muitos aqueles que o escrevem e que o pintam. Deixo alguns poemas de Miguel Torga e Manuel Alegre sobre o Alentejo:

Miguel Torga, “Alentejo”, in Morena a terra-moreno o canto, Antologia de temática alentejana

(...)
Um corpo nu, em lume ou regelado,
Que tem o rosto da serenidade.


Miguel Torga, “Alentejo”, poema in Diário, X

No Alentejo, em fins de Julho ou princípios de Agosto, o olhar atinge o seu zénite. No horizonte raso e limpo, tudo parece pegado à terra: muros, árvores, medas de palha, montes, quando se avistam distantes. Um delírio de luz sobe à cabeça, como a música das cigarras, e faz doer. As coisas todas estalam como romãs maduras, e ficam cheias de brilhos. Mesmo dentro de casa, com portas e janelas trancadas, a luz entra pelas frestas, entorna-se pelas tijoleiras e reflete-se, tenuamente rosada, na brancura das paredes. (...) Cheira a barro e a cal, cheira a coentros e a queijo seco. Cheira ao que é da terra e regressa à terra. (...) Neste longo, ardente verão do sul, apenas as cigarras têm modulações amplas. À roda tudo é silêncio e secura. Os próprios homens quase não têm fala, mas os seus olhos queimam como duas pedras expostas ao sol durante milhares de dias. (...)

...

Manuel Alegre, “Alentejo”, in Alentejo e Ninguém

Rumor tão breve
música do ser
(...)
E de súbito um choupo
Talvez o canto.
Tão pouco
e tanto.

A este propósito, revisitar o Marvão é regressar às origens da nacionalidade, é viajar pelo tempo, conviver com batalhas, escalar muralhas, construir castelos, é sentir um povo que definha, umas raízes que desvanecem, uma história que se esfuma no nevoeiro.

Mas o Marvão é também um pouco do que melhor nos caracteriza; a resistência, a criatividade, a capacidade de empreender, a força e a audácia na luta contra as adversidades. Encravada nos rochedos, a Vila do Marvão resiste às intempéries da idade, à voracidade da mudança.

A Vila do Marvão localiza-se no Distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo, com cerca de 645 habitantes. Situa-se no topo da Serra do Sapoio, a uma altitude de 860 metros. É sede de um município com 154,85 km² de área e 4.029 habitantes (2001), subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte e leste pela Espanha, a sul e oeste pelo município de Portalegre e a noroeste por Castelo de Vide.

“Marvão deve o seu nome a Ibn Marwan al-Yil'liqui «O Galego» (morto c. 889), líder de um movimento sufista no Al-Andaluz, que pegou em armas contra os emires de Córdova e criou uma espécie de reino independente sediado em Badajoz até à instauração do califado de Córdova em 931”.

Segundo reza a história muitas foram as batalhas aqui travadas e muitos foram os acontecimentos que aqui ocorreram. A Câmara Municipal refere a título de exemplo:

“Em 1226, D. Sancho II atribui a Marvão o seu primeiro foral, um dos primeiros forais régios no Alentejo.

A importância estratégica de Marvão - e de outros Castelos da raia - levam D. Dinis a disputá-lo a seu irmão D. Afonso, no ano de 1299, apoderando-se da fortificação”.

Na crise de 1383-1385 dá-se a tomada do Castelo por forças partidárias do Mestre de Avis, após renhido combate que durou meio dia.

Aquando da Guerra da Restauração de 1641-1668, a velha fortificação medieval é reabilitada face às novas tecnologias de guerra, ficando abaluartada nas zonas sensíveis e transformando-se o Castelo na sua cidadela. No decorrer da guerra desempenha um importante papel na defesa do Alto Alentejo”.

sábado, 11 de abril de 2009

O Modelo Americano

(Deixo o artigo que publiquei este fim de semana no Semanário Expresso)


Nos Estados Unidos, a distribuição de correio remonta ao ano de 1775, altura em que foi assumido pelo Congresso que a circulação de cartas e a partilha de informação eram essenciais à causa da liberdade. Dá-se então o primeiro passo na criação do sistema postal, instituindo a função de Postmaster General.

Os titulares desta função passaram, a partir de 1788, a reportar directamente ao Presidente e os nomes de muitos que a exerceram abonam a favor do prestígio que os serviços postais assumiam: Benjamin Franklin, Founding Father da nação e, mais tarde, Abraham Lincoln e Harry Truman.

No final dos anos 60, níveis de crescimento elevados obrigaram o Presidente Lyndon Johnson a nomear uma Comissão para a Reorganização Postal. Desta Comissão emanaram directivas várias que serviram de base à “Postal Reform” de 1970. A responsabilidade operacional investida num Conselho de Governadores e numa Comissão de Gestão Executiva em vez de no Congresso é talvez uma das mais significativas. O objectivo era assegurar a continuidade da gestão através da remoção de toda e qualquer influência política.

Neste modelo, o Conselho de Governadores é formado por nove elementos nomeados pelo Presidente, com a aprovação e aconselhamento do Senado. Estes nove governadores escolhem o Postmaster General, que também passa a ter assento no Conselho e que tem um mandato indefinido sujeito ao Conselho. Os dez nomeiam o Deputy Postmaster General que passa a deter o poder executivo.

Os governadores são escolhidos para representar o interesse público e apenas cinco podem pertencer ao mesmo partido. Os mandatos dos governadores variam entre um e nove anos e, no início de cada ano, é escolhido um “Chairman of the Board”. O Conselho de Governadores reúne-se mensalmente e, salvo disposição em contrário, todas as reuniões são abertas ao público. Cada governador recebe 300$ por dia de sessão, tem as despesas pagas e recebe anualmente um salário de 30.000$.

A United States Postal Service (USPS) é a segunda maior empregadora dos Estados Unidos e a quarta maior do mundo, emprega 700 mil funcionários. Processa cerca de 212 biliões de objectos por ano, gere a segunda maior frota de veículos do mundo, lida com 50% do correio gerado, distribuindo mais correio para mais moradas numa área geográfica, do que qualquer outra empresa. Presentemente, cerca de 90% do correio (cartas) não regista qualquer intervenção humana até ser entregue na morada final. A USPS possui um desenvolvimento tecnológico invejável e caminha para um nível de mecanização sem rival, antecipando a maior reforma postal do século XXI.

O modelo implementado em 1971 provou os seus méritos e constitui uma demonstração de maturidade política e uma preocupação genuína com a eficiência e com o profissionalismo. No momento actual, em que se assiste a uma cavalgada estatizante, um modelo que assegure a continuidade temporal e a estabilidade das equipas executivas, que se foque numa gestão eficiente, que aposte no mérito, mais do que na fidelidade política, e que assegure a transparência com um custo comportável pelo contribuinte; é essencial para garantir o sucesso de uma gestão em tempos de crise.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

“Cherry Blossom”

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O passado fim-de-semana representou o apogeu da floração das cerejeiras em “Tidal Basin”, Washington DC. Foi com pesar que não assisti a este maravilhoso espectáculo da natureza, a comunhão da cor e da vida. A flor da cerejeira marca o fim do Inverno e anuncia a Primavera. Washington veste-se a rigor para celebrar este evento e é um privilégio estar na cidade nesta altura do ano.
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As cerejeiras estão espalhadas por toda a cidade, mas é junto à enseada “Tidal Basin”, contígua ao Potomac River que encontramos uma maior concentração. As cerejeiras foram uma oferta do governo Japonês ao povo americano, em 1912. Mais de 3700 pululam pelas margens do rio, junto ao "Lincoln Memorial" e pelas franjas do "National Mall" que desagua em "Capitol Hill".


As cerejeiras são originárias da Ásia e, na cultura japonesa, sakura significa "flor de cerejeira". Por causa da sua curtíssima duração (cerca de duas semanas, com apenas três ou quatro dias de pico), a floração das cerejeiras ou sakura tem um forte simbolismo relacionado com a natureza transitória da vida e tem sido inspiração para diversas formas de arte. Na realidade, a cerejeira era associada ao samurai, cuja vida era tão efémera quanto a da sua flor.

Este é um tempo de festa em Washington; música, bailados, musicais, enfim, a cultura e a arte a que a cidade já nos habituou. O "National Cherry Blossom Festival" corporiza estas manifestações e representa uma iniciativa muito aguardada e frequentada por pessoas de todas as paragens.

Segundo informação desta entidade organizadora, este ano, o pico da floração ocorreria entre os dias 1 e 4 de Abril. Os jardineiros do "National Park Service" monitorizam os 5 diferentes estádios de desenvolvimento da flor e fornecem informações actualizadas regularmente. A esperança é de que este acontecimento coincida com o próprio Festival e, neste sentido, as previsões estão envoltas em grande expectativa.

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O auge da floração é considerado o dia em que pelo menos 70% das flores que circundam “Tidal Basin” estão abertas. A data precisa em que as cerejeiras Yoshino atingem este pico varia de ano para ano, dependendo das condições atmosféricas e, desta forma, a data do "National Cherry Blossom Festival" é baseada na média das datas de floração. Em 1990, este processo ocorreu a 15 de Março e, em 1958, em 18 de Abril.

Washington em todo o seu esplendor é inundada de rosa e um sentimento de paz e de tranquilidade paira no ar. O poder rendido à beleza, a cor que se instala na paisagem, o simbolismo que invade a cidade.
Deixo algumas imagens do passado fim de semana:


sexta-feira, 3 de abril de 2009

"Nunca se deve dar poder a um tipo porreiro"

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No jornal Público de ontem a jornalista Helena Matos escreveu um artigo muito interessante sobre, mais uma vez, a podridão actual. Transcrevo aqui este artigo:

"O porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao paísNo início, ninguém dá nada por eles. Mas, pouco a pouco, vão conseguindo afirmar o seu espaço. Não se lhes conhece nada de significativo, mas começa a dizer-se deles que são porreiros. Geralmente estes tipos porreiros interessam-se por assuntos também eles porreiros e que dão notícias porreiras.

Note-se que, na política, os tipos porreiros muito frequentemente não têm qualquer opinião sobre as matérias em causa mas porreiramente percebem o que está a dar e por aí vão com vista à consolidação da sua imagem como os mais porreiros entre os porreiros. Ser considerado porreiro é uma espécie de plebiscito de popularidade. Por isso não há coisa mais perigosa que um tipo porreiro com poder. E Portugal tem o azar de ter neste momento como primeiro-ministro um tipo porreiro. Ou seja, alguém que não vê diferença institucional entre si mesmo e o cargo que ocupa. Alguém que não percebe que a defesa da sua honra não pode ser feita à custa do desprestígio das instituições do Estado e do próprio partido que lidera.


O PS é neste momento um partido cujas melhores cabeças tentam explicar ao povo português por palavras politicamente correctas e polidas o que Avelino Ferreira Torres assume com boçalidade: quem não é condenado está inocente e quem acusa conspira. Nesta forma de estar não há diferença entre responsabilidade política e responsabilidade criminal. Logo, se os processos forem arquivados, o assunto é dado por encerrado. Isto é o porreirismo em todo o seu esplendor. Acontece, porém, que o porreirismo de Sócrates, pela natureza do cargo que ocupa, criou um problema moral ao país.


Fomos porreiros e fizemos de conta que a sua licenciatura era tipo porreira, exames por fax, notas ao domingo. Enfim tudo "profes" porreiros. A seguir, fomos ainda mais porreiros e rimos por existir gente com tão mau gosto para querer umas casas daquelas como se o que estivesse em causa fosse o padrão dos azulejos e não o funcionamento daquele esquema de licenciamento.
E depois fomos porreiríssimos quando pensámos que só um gajo nada porreiro é que estranha as movimentações profissionais de todos aqueles gajos porreiros que trataram do licenciamento do aterro sanitário da Cova da Beira e do Freeport. E como ficámos com cara de genuínos porreiros quando percebemos que o procurador Lopes da Mota representava Portugal no Eurojust, uma agência europeia de cooperação judicial? É preciso um procurador ter uma sorte porreira para acabar em tal instância após ter sido investigado pela PGR por ter fornecido informações a Fátima Felgueiras.
Pouco a pouco, o porreirismo tornou-se a nossa ideologia. Só quem não é porreiro é que não vê que os tempos agora são assim: o primeiro-ministro faz pantomina a vender computadores numa cimeira ibero-americana? Porreiro. Teve graça não teve? Vendeu ou não vendeu? Mais graça do que isso e mais porreiro ainda foi o processo de escolha da empresa que faz o computador Magalhães. É tão porreiro que ninguém o percebeu mas a vantagem do porreirismo é que é um estado de espírito: és cá dos nossos, logo, és porreiro. E foi assim que, de porreirismo em porreirismo, caímos neste atoleiro cheio de gajos porreiros.
O primeiro-ministro faz comunicações ao país para dizer que é vítima de uma campanha negra não se percebe se organizada pelo ministério público, pela polícia inglesa e pela comunicação social cujos directores e patrões não são porreiros. Os investigadores do ministério público dizem-se pressionados.

O procurador-geral da República, as procuradoras Cândida Almeida e Maria José Morgado falam com displicência como se só por falta de discernimento alguém pudesse pensar que a investigação não está no melhor dos mundos... Toda esta gente é paga com o nosso dinheiro. Não lhes pedimos que façam muito. Nem sequer lhes pedimos que façam bem. Mas acho que temos o direito de lhes exigir que se portem com o mínimo de dignidade.
Um titular de cargos políticos ou públicos pode ter cometido actos menos transparentes. Pode ser incompetente. Pode até ser ignorante e parcial. De tudo isto já tivemos. Aquilo para que não estávamos preparados era para esta espécie de falta de escala. Como se esta gente não conseguisse perceber que o país é muito mais importante que o seu egozinho. Infelizmente para nós, os gajos porreiros nunca despegam."
Helena Matos Jornalista, in Público

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Grau Zero!!

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Devemos fazer um esforço para nos colocarmos fora do ambiente político, social e económico que se vive actualmente em Portugal. Uma saída discreta para a “balcony”, para utilizar uma expressão do professor Marty Linsky, aplicada ao conceito de liderança, ajuda-nos a olhar com algum distanciamento para o estado actual das coisas.

Vivemos num país endividado a um nível incomportável, com um modelo económico esgotado e incapaz, empresas a fechar a um ritmo alucinante e desemprego a cavalgar as estatísticas, crime e insegurança a disparar, uma sociedade injusta e desigual, onde o poder, a influência e os benefícios são só para alguns.
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E, qual cereja no topo do bolo, a corrupção generalizada, as benesses, as ajudas, os favores e o amiguismo.

O caso Freeport tem sido paradigmático e constituirá certamente uma referência para as gerações futuras em termos do grau zero da nossa sociedade, da nossa classe política, da nossa justiça e da nossa polícia.

Nunca como neste caso, foi tão clara a rede de influências, a teia de interesses, o sabor acre do clientelismo politico, a tentacularidade dos interesses instalados. Nunca como neste caso ,desceu tão baixo o prestígio das instituições e a dignidade da representatividade política. Nunca como neste caso, foi tão assustadoramente evidente a pressão sobre meios de comunicação, magistrados e polícias. Nunca como neste caso, foi tão clara a diferença abismal de tratamento entre políticos e cidadãos normais. Nunca como neste caso, foi tão evidente quais os desígnios e as preocupações que interessam à nossa classe dirigente.

Descemos ao grau zero. Estamos pobres, sem esperança no futuro, sem visão, sem desígnios e ainda mais agonizante, sem alternativas credíveis e galvanizantes. Mais grave, ficamos com a sensação aterradora de que a generalidade dos eleitores prefere corruptos decididos, são vários os casos, a sérios competentes. Não sei se por força da necessidade, se por conforto da acomodação profissional, se por aversão à mudança, se por puro masoquismo social, se por desmotivação ou, mais preocupante, se por manifesta incompetência da classe política em apresentar uma alternativa credível para assumir a liderança do país.

Infelizmente, talvez por exigência da nossa sociedade, os políticos actuais tendem a dizer todos o mesmo ou, pior, a proferir frases deliberadamente incompreensíveis. A retórica política encheu-se de slogans, de “sound bytes”, de vazio, usados à esquerda e à direita. O consenso faz desta geração de políticos uma raça de especialistas em relações públicas, homens que deixaram de acreditar no que quer que seja. Independentemente da sua cor partidária, todos pensam como Clinton, um mentiroso consciente, quando este dizia não serem as propostas políticas a motivar o eleitorado, mas a forma como surgem embaladas..


Não será esta, curiosamente, uma das razões por que a actual alternativa política não recolhe a adesão e o interesse do eleitorado?

terça-feira, 31 de março de 2009

Flowing Data: A Força da Imagem

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The greatest value of a picture is when it forces us to notice what we never expected to see. (John W. Tukey. Exploratory Data Analysis. 1977)

Vivemos na era do conhecimento e da informação, no tempo do “on-line”, das redes de contacto, da partilha e do livre acesso a tudo e a todos. Hoje, mais do que nunca, abdicamos da privacidade dos nossos movimentos para ter acesso a uma panóplia de documentos, dados, informações que nos ajudam a tomar decisões, a fazer opções e a escolher.

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Vivemos num mundo onde os governos e as empresas podem ter acesso a todo o tipo de informação sobre nós. Factos que há uns anos eram desconhecidos, ou pura e simplesmente não existiam, passaram a poder ser conhecidos com relativa facilidade. Por exemplo, é muito fácil construir um mapa dos nossos passos, uma fotografia dos nossos gostos e das nossas preferências. Em que lojas compramos, que tipo de alimentos utilizamos, o que lemos, quais as nossas preferências musicais, desportivas e até sexuais. Até as empresas têm vindo a ser cada vez mais forçadas a revelar informações sobre os seus produtos e os seus serviços, o que vem de certa forma anular o conceito de vantagem competitiva.

A este propósito, descobri recentemente o site "FlowingData", que se dedica a analisar e tratar informação e dados. Aposta na representação gráfica da informação e no tratamento da sua apresentação. Alerta-nos para a importância da forma e do tratamento que é dado à informação e como deste modo a mensagem pode ficar enriquecida.

O "FlowingData" mostra-nos como designers, estatísticos e cientistas da computação utilizam os dados ajudando-nos a compreendermo-nos melhor através da visualização.

A título de exemplo, partilho alguns dos gráficos mais interessantes:

O estado da economia medido a partir da análise de um conjunto de indicadores - "Check In on the State of the Economy". Este gráfico da Russel Investments avalia o estado de sete indicadores relevantes; o risco de crédito, a dívida das empresas ou a volatilidade do mercado, por exemplo. A barra azul permite-nos conhecer o comportamento típico e o marcador laranja mostra-nos os valores actuais. Por cima deste marcador está uma seta que nos indica a direcção actual do indicador.
Como podemos ver a situação é preocupante em termos de dívida, de volatilidade, de desemprego e de crescimento da economia.

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“Obama's $787 billion Dollar Economic Stimulus Plan by CreditLoan” que nos permite visualizar, de forma simples, como foi aplicado o pacote de ajuda económica desta Administração. Ajuda-nos também a perceber como este se diferencia da forma bastante heterodoxa e unidireccional que o nosso governo decidiu seguir, em termos de estimulo da economia.

Temos ainda sobre este tema o “Slicing Up the Economic Stimulus Bill by Associated Press” que detalha de forma exaustiva e transparente, coisa que ainda não se viu em Portugal, para onde foi canalizada a ajuda.

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Para nos dar uma ideia da dimensão, este outro gráfico – “Visualizing Money” está muito bem conseguido e permite uma análise simples em termos da dimensão dos números, do peso dos impostos, da comparação histórica e da proporcionalidade.

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Finalmente, este último sobre a situação a que chegou a General Motors. Concepção gráfica muito interessante e forma simplificada de retratar uma realidade tão complexa.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Açores: Turismo de Qualidade Sustentável

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É sempre com enorme carinho e imensa saudade que recordo os Açores. A distância aproxima-nos, a ausência aguça a memória, o tempo agiganta a recordação.

Volto de quando em vez e sempre menos do que gostaria. Mas é com preocupação que, à distância de uma lembrança, assisto à voracidade do seu desenvolvimento, à avidez da sua transformação, à sede do seu progresso.
Uma luta permanente entre homem e natureza, sempre em detrimento do segundo, uma conquista fácil do betão para benefício do turismo, uma avalanche de transformações para repasto do desenvolvimento.
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Sinto que os Açores estão diferentes; sinto-os menos rurais e mais citadinos, sinto-os menos verdejantes e mais policromáticos, sinto-os menos azuis, sinto-os menos rudes e mais sofisticados, sinto-os menos exuberantes e mais uniformizados, sinto-os menos especiais e com menos personalidade.

E não será a mais valia dos Açores precisamente a sua rudeza? As suas gentes? A sua topografia? As suas aldeias de basalto e os seus lugarejos de ausência? A sua vegetação luxuriante? As pontes estreitas que aproximam desfiladeiros imensos lá para os lados do Nordeste?

Paisagem de cores pensativas e quietas, que nos afastam de um mundo de febre e de vertigem. À primeira curva da estrada, o olhar reencontra campos de pastagens, as vacas dispersas a aguardar mais uma recolha de leite. Muito dificilmente se apaga da memória a diversidade de tons verdes, através dos campos, das matas, dos vales e das encostas. “Perduram vestígios de eras remotas, cicatrizes de convulsões sísmicas, a morfologia vulcânica da ilha. Ainda e sempre o mistério das origens, na evidência dos sinais”. São estas as características que os turistas procuram, são estes os Açores da minha memória.

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Em 2001, escrevi, creio que para o Jornal Açoriano Oriental, um artigo sobre a necessidade de apostar no desenvolvimento sustentável dos Açores. Depois de 8 anos de argamassa, de calcário e de ácido fosfórico, torna-se ainda mais premente travar este desígnio suicida de edifícios gigantescos, marinas vazias, SCUTs desertas, polidesportivos e multiusos que asfixiam a sua beleza, que descaracterizam as suas gentes. Deixo para reflexão o “Turismo de Qualidade Sustentável” que é hoje mais do que nunca uma necessidade, uma obrigação.
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::::::::::::Açores: Por um turismo de qualidade sustentável (I)

A indústria do lazer constitui, actualmente, uma realidade em grande ascensão e desenvolvimento, em todo o mundo. De facto, nos tempos modernos uma das preocupações mais evidentes, das populações mais desenvolvidas, é de como ocupar os tempos livres. Esta preocupação explica o crescimento exponencial verificado com o sector do turismo que em 1999 atingiu o valor histórico das 657 milhões de chegadas.
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Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), Portugal ocupa o décimo quinto lugar no ranking dos países receptores de turistas com 11,6 milhões de turistas por ano. Neste cenário, os Açores ocupam um lugar menor mas com níveis de crescimento consideráveis nos últimos anos, e acima de tudo, perspectivas verdadeiramente ambiciosas para os próximos; espera-se uma duplicação da capacidade de oferta em 3 anos. O arquipélago deverá passar por uma verdadeira revolução turística que transformará, radicalmente, o meio tal como o conhecemos actualmente.

Tendo em conta este cenário de mudança devem-se colocar várias questões pertinentes:

Qual a capacidade de suporte da região, em termos de investimento turístico, sem danificar a natureza e os ecossistemas?

Será que se procedeu a um planeamento turístico detalhado que acautelasse as riquezas naturais, sociais e ambientais da região?

Estarão os Açorianos preparados para esta mudança que se avizinha?

Será que o mercado já compreendeu que a dimensão da região não lhe permite concorrer em quantidade mas antes em qualidade?

Será que os Açorianos e, em particular, a burguesia empreendedora têm consciência da necessidade de preservar a riqueza natural e humana dos Açores?

O crescimento e o desenvolvimento constituem, fortuitamente, uma inevitabilidade das economias de mercado e uma consequência natural das democracias modernas, por isso mesmo, a geração de riqueza é essencial para o aumento do nível de vida das populações. Mas o crescimento quando não planeado pode, facilmente, atingir proporções contraproducentes e prejudiciais para o meio e para as gentes.

Não podemos descurar o impacto profundo do turismo no ambiente, a possível descaracterização do meio, o aumento descontrolado da densidade populacional, a rápida escassez dos recursos, o desrespeito pelo ambiente, a utilização das paisagens até níveis próximos da exaustão.

O planeamento cuidado, a preocupação com o ambiente através do dimensionamento adequado da oferta, a diferenciação pela qualidade do produto oferecido, a qualificação pela formação profissional disponibilizada, são aspectos essenciais que não podem ser descurados.

Os Açores devem apostar num desenvolvimento sustentável, ou seja, crescer mas através de uma interacção perfeita e controlada com o meio.

O termo Desenvolvimento Sustentável define um conceito defendido pelas Nações Unidas, mais concretamente pela Comissão para o Ambiente e Desenvolvimento. De acordo com a ONU, “desenvolvimento sustentável significa satisfazer as necessidades da população actual, sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem as suas próprias necessidades”.

Esta definição reflecte o problema que a insustentabilidade do desenvolvimento mundial acarreta. Com o constante crescimento da população tem-se assistido ao aumento da procura de recursos, como a água, a energia e o solo. Por outro lado, a globalização da economia tem aumentado os hábitos de consumo, potenciando a produção de resíduos e multiplicando a mobilidade da população. A sobre-exploração dos recursos naturais, tem sido tão elevada que estes começam a entrar em ruptura.

Perante este quadro muito pouco abonatório, a solução preconizada por muitos países e regiões, aponta para um desenvolvimento sustentável.

São actualmente aceites 7 princípios que, se correctamente aplicados, garantem a sustentabilidade do desenvolvimento:
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Eficiência energética: Consiste na utilização de equipamentos, que tenham os mais baixos consumos energéticos, para o mesmo custo económico e ambiental, ao longo da sua vida útil. Este princípio deve ser aplicado a todo o tipo de equipamento, seja ele industrial, comercial ou pessoal.
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Energias renováveis: A utilização de energias renováveis visa, essencialmente, reduzir a pressão sobre recursos escassos. Outro factor relevante incide no grau poluente das energias renováveis que é muito inferior ao das energias convencionais.
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Edificação ecológica e bioclimática: A edificação ecológica consiste em utilizar, na construção de edifícios, os materiais que impliquem um menor consumo de energia e emissão de poluentes. A edificação bioclimática, obriga a que os edifícios fiquem orientados de forma óptima, de modo a minimizar os impactos da temperatura exterior, reduzindo assim a utilização de climatizadores.
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Eficiência na mobilidade: Este ponto pressupõe a existência de estudos destino-origem, por forma a definir trajectos óptimos e soluções (ex: transportes públicos) que minimizem o volume de deslocações e o seu impacto ambiental.
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Tratamento e reutilização de águas: Consiste na problemática da escassez de água potável, ou seja, a racionalização do consumo e a reutilização da água.
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Tratamento e reciclagem de resíduos: Este penúltimo ponto baseia-se na teoria dos “3R”, reduzir, reutilizar, reciclar.
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Participação da população: É o ponto chave de todo um desenvolvimento sustentável. Aqui reconhece-se a importância da população para um futuro sustentável, pois terá que partir da própria população a aplicação de todos os princípios atrás mencionados. Se assim não for, as políticas de incentivo para aplicação de todas as recomendações não terão qualquer efeito. Se a população se sentir parte integrante deste processo, sentindo que a sua opinião é válida, todas as políticas terão o seu resultado potenciado e reconhecido num prazo significativamente mais curto.

A aplicação destes princípios garante a complementaridade entre o desenvolvimento económico, o desenvolvimento social e a protecção ambiental.
Actualmente existem vários exemplos deste tipo de desenvolvimento que devem ser analisados atentamente; é o caso de Lanzarote, nas Canárias, e o de Calviá em Maiorca.
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Um projecto desta natureza e com um espectro de actuação tão amplo e ambicioso obriga, necessariamente, a um forte empenhamento e esforço de mudança por parte das entidades responsáveis pela estratégia de crescimento perspectivada.Considero critico reflectir sobre o projecto de desenvolvimento que se espera para os Açores, e sobre qual a melhor forma de o conseguir. Não nos iludamos com as facilidades do progresso nem sobrestimemos as capacidades altruístas de quem tem o poder de decisão. Cabe-nos a nós fomentar a discussão e contribuir para a preservação do nosso, precioso, património.