quinta-feira, 7 de maio de 2009

Cultura Americana

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Não posso deixar de reproduzir a última crónica de Inês Pedrosa, no Semanário Expresso. Subscrevo-a na íntegra uma vez que traduz aquilo que, de forma tão transparente, penso e que sempre tenho procurado exprimir nos textos que tenho deixado aqui no blog.
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Na linha suave de uma Oriana Fallaci, que tanto aprecio, Inês Pedrosa fala-nos da força de espírito e da capacidade empreendedora “...eu nunca tinha visto Nova Iorque desgrenhada de desalento, e julgava que esta seria uma visão impossível. À ingratidão ela responde com orgulho e riso, do desespero faz raiva e força...”, fala-nos da visão de longo alcance “o poder dos Estados Unidos nasceu sempre dessa capacidade de pôr os olhos no futuro...”, fala-nos da cultura do mérito e dos benfeitores “....essa cultura do mérito faz toda a diferença e torna as universidades americanas cada vez mais internacionais - dedicadas aos melhores, independentemente de nacionalidades e rendimentos...” e fala-nos da energia e da vida deste povo que nunca baixa os braços, que nunca se resigna.
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......................................................Cultura Americana

"Já sabíamos que Nova Iorque resiste a tudo, da mais inócua inveja aos massacres do ódio cego. É essa coragem - tão judaica - de renascer sempre, e com uma energia construtiva imparável, que faz o génio luminoso desta cidade. Resistirá também a mais esta crise, sem dúvida. Eu nunca tinha visto Nova Iorque desgrenhada de desalento, e julgava que esta seria uma visão impossível. À ingratidão ela responde com orgulho e riso, do desespero faz raiva e força; agora encontro-a de chinelos de quarto e olhos papudos - sem sequer ter no dedo um cigarro para baforar de boémia a tristeza hiper-realista que lhe caiu em cima.

O que eu mais gosto de fazer em Nova Iorque é andar a pé. O meu amigo Jorge Colombo, que mora nela há muitos anos, habituou-me a passear pela cidade como por um imenso e mutante museu. As ruas de Nova Iorque são um mostruário do mundo e um caudal de inspiração. Acresce que ao lado do Jorge é impossível deixar escapar um qualquer pormenor deste particular universo urbano. Depois dos dailies (retratos de nova-iorquinos sortidos), Colombo faz agora iSketches, desenhos da cidade no iPhone, a pinceladas fortes, com a ponta dos dedos - a inovação foi saudada na comunicação social americana e inglesa e eis que, no auge da crise, Colombo se viu convidado para expor e vender estes trabalhos numa galeria de arte virtual
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Nas ruas de Nova Iorque sucedem-se as lojas fechadas com anúncios para venda - muitas delas ginásios. As pessoas voltam a ser treinadoras pessoais de si mesmas. A imprensa, a começar pelo "Wall Street Journal", publica comboios de textos gabando os méritos da alma (um vício barato). Muitos restaurantes estão vazios, mesmo à sexta-feira à noite. Fecharam revistas - ou mudaram as suas sedes para estados e cidades mais baratos. A falta de dinheiro vê-se, pesa no ar. Por outro lado, há um espírito de harmonia na cidade. Nas banquinhas de recordações para turistas, alinham-se estatuetas de Obama, T-shirts com louvores ao herói Obama, canecas encomiásticas com a cara de Obama. Falta o toque a mentol e maldade que fazia o picante da cidade no tempo em que estava cheia de vudus-Bush. Por quanto tempo continuarás santificado, Barack Obama? Ainda bem que não és branco, nem mulher. Sempre o estado de graça dura mais um bocadinho. Na capa da "New Yorker", o desenho do famoso cão de água português, posando solitário nos imensos relvados da Casa Branca, com focinho de quem pergunta uma de duas coisas: a) que faço eu aqui? b) como é que o meu dono vai safar-se? Mesmo desalentada, Nova Iorque sabe rir-se de si mesma e trabalhar sobre esse riso estimulante. Faz da frugalidade a nova moda e avança para o futuro.
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O poder dos Estados Unidos nasceu sempre dessa capacidade de pôr os olhos no futuro. As universidades americanas - tive agora a oportunidade de visitar várias - são o exemplo visível desse investimento; mesmo nas mais pobres é evidente uma preocupação de democracia real no acesso ao ensino, que se traduz em boas bibliotecas abertas em horários alargados (em certos casos, 24 horas por dia), e vastas e acolhedoras salas de leitura. Ninguém ficará discriminado por não ter biblioteca em casa, ou por não ter um quarto que seja seu. Onésimo Teotónio de Almeida, há longos anos professor na belíssima e famosa Brown University, em Providence, faz-me notar que os muitos alunos espalhados pelas bibliotecas, salas de leitura ou bancos de jardins estão, invariavelmente, a trabalhar. Essa cultura do mérito faz toda a diferença e torna as universidades americanas cada vez mais internacionais - dedicadas aos melhores, independentemente de nacionalidades e rendimentos.

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Há nos Estados Unidos uma cultura da participação cívica e da gratidão que se mostra extraordinariamente eficaz: as universidades são largamente sustentadas por benfeitores, muitos deles antigos alunos, que assim retribuem a formação recebida. Um aluno brilhante sem capacidade para pagar as propinas terá uma bolsa de estudo. Acresce que há também uma cultura de trabalho juvenil (na restauração, limpeza ou baby-sitting) para pagar os estudos superiores - cultura essa que favorece o empenhamento nos estudos, porque o que é difícil tem sempre mais valor. A crise acabará por desaparecer - ao contrário das universidades, dos estudantes, dos livros e do sol."
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terça-feira, 5 de maio de 2009

Xiangmin Guo

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A propósito de um artigo extremamente interessante, do passado fim de semana, no Washington Post. Partilho uma história que se passou no dia 4 de Novembro de 2008, dia das eleições americanas. A convite da Comissão Fulbright fui passar a noite de eleições num “gathering” para bolseiros e estudantes estrangeiros, em Washington DC.

Esta iniciativa tinha o patrocínio de uma conhecida “law firm” de DC e contou com a presença de pessoas das mais variadas proveniências e com as mais diversas formações. Chovia copiosamente e o frio cortante convidava a ficar em casa a assistir em directo ao espectáculo de informação que constitui a televisão americana em noite de eleições. Mas Anderson Cooper não me seduziu e sucumbi ao apelo da emoção. Nada como viver “in loco” um acontecimento com esta dimensão histórica.

Apanhei o metro e saí em Dupont Circle, caminhei ainda durante dez minutos debaixo de uma chuva intensa mas convicto de que tinha tomado a opção certa.

Uma vez chegado ao local deparei-me com uma pequena multidão de estudantes efusivos e em ameno convívio; cerveja, pizzas e outros "apetizers" à disposição dos participantes. O grupo encontrava-se numa sala grande rectangular tendo como fundo um projector gigante com a emissão da CNN.

Enquanto Campell Brown ouvia os seus convidados, a assistência dialogava e ia confraternizando entre cervejas e amendoins, antecipando-se uma noite de grande festa, uma vez que o predomínio de apoiantes de Obama era notório.

Enquanto me encontrava neste processo de adaptação ao ambiente, meti conversa com um casal de orientais que me pareceram os mais comedidos nos festejos da vitória que já se antecipava. Os orientais são sempre simpáticos e risonhos e este casal não fugia à tendência.

Fiquei a saber que ambos eram “visiting scholars” na Maryland University. Ela a terminar um doutoramento em economia e professora de Economia Internacional na Universidade de Pequim e ele arquitecto e consultor de planeamento urbano na cidade de Chuzhou, sendo ainda professor de Urbanismo na Universidade de Tsinghua. Encontravam-se em Washington DC há menos de um mês e estavam fascinados com a cidade, com as pessoas, com o sistema e com as universidades.


Conversei, longamente, com Xiangmin Guo que de forma aberta me falou sobre o modelo Chinês, sobre as mudanças que se têm vindo a operar na China, sobre as universidades Chinesas e sobre o fascínio que, cada vez mais, representam os Estados Unidos e o modelo americano para as gerações mais novas da China pós Mao.


Falamos de urbanismo, de política, de modelos políticos e de como o fascinava o modelo político americano de pesos e contrapesos; a possibilidade de coexistirem duas Câmaras e um Presidente era algo que o atraia grandemente. Apesar de partilhar o processo de funcionamento chinês, conseguiu relatar situações sem a emotividade que eu esperaria, o peso do sistema é avassalador. Colocou-me variadas questões sobre o sistema presidencialista e partilhei com ele as impressões sobre o nosso modelo parlamentarista.

Da nossa conversa registei a influência que os Estados Unidos e o seu modelo capitalista de desenvolvimento exercem sobre os chineses. E a corroborar este facto o aumento exponencial de estudantes chineses a ingressarem nas universidades americanas. A mulher, cujo nome não me recordo, também ela uma bolseira da Fulbright contou-me que para uma bolsa Fulbright existem mais de dez mil candidatos.


Na realidade e segundo o Washington Post, têm sido milhares as candidaturas às universidades americanas e, apesar de terem aumentado significativamente o número de inscritos, o processo de selecção torna-se cada vez mais rigoroso e apertado, o que permite a selecção dos melhores entre os melhores. Mais uma vez, os americanos conseguem atrair os melhores cérebros do mundo e formá-los à luz do seu modelo de desenvolvimento.

A Universidade da Virgínia constitui um bom exemplo desta realidade, o artigo do Washington Post Post é elucidativo:

“A decade ago, 17 Chinese students applied to U-Va. Three years ago, 117 did. This year, the number was more than 800 out of almost 22,000 candidates -- so many that admissions officers had to devise new ways to select from the pool of strong applicants.

Chinese students' growing interest in U-Va. is partly a result of the school's outreach and strong reputation. But even some schools that don't recruit in China have seen a rapid increase in applicants.

Until fall 2007, the number of Chinese undergraduates in the United States had held steady for years, at about 9,000, according to the Institute of International Education, which promotes study abroad. But that year, it jumped to more than 16,000”
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A este propósito gostava ainda de partilhar um artigo, muito interessante, no Courrrier International, deste mês, sobre o desemprego na China. Este fenómeno de origem recente constitui um motivo de preocupação para o país e para o mundo ou não estivessemos a falar de vários milhões de desempregados, com baixas qualificações, reduzida formação e sem recursos suficientes para retomar a labuta agrícola que entretanto abandonaram. Recomendo o artigo uma vez que nos dá uma perspectiva bastante realista da situação actual na China.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Vasco Granja parte...

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Partiu hoje aquele que foi o maior impulsionador e dinamizador da animação e da banda desenha em Portugal. Homenageio Vasco Granja desta forma singela, pelo papel incontornável que teve na minha infância e na infância de várias gerações que cresceram a ouvi-lo e que ansiosamente aguardavam pela sua chegada aos Sábados à tarde, através do seu programa “Animação” na RTP, o único canal então existente.

A sua presença e o seu programa ajudaram-me a sonhar e transportaram-me sempre para mundos imaginários repletos de fantasia e de emoção. Viajei com a Pantera Cor de Rosa, o inspector Clouseau, o Tom & Jerry, o Tintin, o Lápis Mágico e muitos outros que me influenciaram decisivamente e que ainda hoje habitam o meu imaginário.

Curiosamente foi ele o primeiro a introduzir a designação de “banda desenhada” no léxico português, num artigo que publicou no “Diário Popular” (Público) . Acredito que através dele e do seu programa, muitas crianças tiveram a oportunidade de aprender e de melhorar.

A partir de agora irá habitar para sempre o mundo mágico da animação, dos desenhos animados e da banda desenha. Terá o privilégio de conviver com aqueles que ajudou a divulgar e a dar a conhecer.

“Assalto ao Orçamento”

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Vivemos, como é sabido, uma das mais graves crises dos últimos cem anos. De forma generalizada, uma crise nascida nas economias mais desenvolvidas está a provocar uma verdadeira avalanche sobre as economias mais dependentes, menos auto suficientes e mais rígidas.

Portugal está a afundar-se graciosamente no pântano do endividamento externo, da queda da produtividade, do aumento do desemprego, envolvido por um modelo de desenvolvimento económico esgotado, desadequado e inflexível.

Na passada semana Medina Carreira deu mais uma das suas desconcertantes e incómodas entrevistas, desta vez ao Correio da Manhã/Rádio Clube. Medina Carreira é um ser pensante, uma mente livre e aberta, descomprometido, inconveniente e pessimista permanente. Obriga-nos, mais uma vez, a pensar, abana o nosso conforto iludido. Se nos abstrairmos da sua tónica derrotista e pessimista militante, as suas preocupações, podendo parecer exageradas ou transmitidas com alguma crueza, não deixam de ser verdadeiras. Medina Carreira tem a capacidade da transparência e da clareza, fala-nos com simplicidade, vai ao encontro da nossa mediania de entendimento, é desassombrado, fala sem medos, sem pruridos e, por mais pessimista ou hiperbólico que seja é verdadeiro e a sua análise assenta em pressupostos realistas.

Portugal e os portugueses devem estar preocupados. A situação actual é preocupante e a ausência de alternativas e de soluções para enfrentar as dificuldades e, consequentemente, as perspectivas que se colocam, são deveras assustadoras. A minha formação de economista ajuda-me a centrar a análise no essencial e, apesar de me encontrar a léguas de distância do Dr. Medina Carreira, em conhecimento e experiência, partilho as suas preocupações e mais do que isso, a ausência de soluções fáceis ou paleativos acessíveis para Portugal e para os portugueses. Antecipo com muito receio os próximos anos e temo pela qualidade de vida, pelo emprego e pelas finanças de Portugal. Temo pelo aumento exponencial da emigração e pela fuga do conhecimento e do saber, temo pela total ausência de esperança de uma geração inteira.

A persistência no modelo de desenvolvimento actual, a persistência na alavancagem de gastos públicos sumptuosos e inconsequentes terá consequências tremendas para nossa situação económica e para o nosso equilíbrio financeiro e social.

Conforme refere Medina Carreira “...nós estamos a gastar 110, 111 e estamos a produzir 100. Para simplificar. O português está a produzir 100 euros por ano e está a gastar 110, 111 euros. Quer dizer que estamos a viver de empréstimos. (...) Estamos a viver acima das nossas possibilidades e por conseguinte, ou recuamos 10 por cento ou produzimos mais 10 por cento. É simples”.

“Estamos num caminho em que eram 107 há uns anos, 108, agora andamos pelos 110 e vai sendo cada vez pior, em princípio, porque os juros que nós devemos no exterior são cada vez maiores. No limite a consequência é a mesma que é para mim ou para vocês se o banco não nos empresta dinheiro este mês. Ou se empresta só com um spread de 18 por cento”.

“O que é que o País vai fazer? Que é aquilo para que estamos a caminhar. É para bater na parede. Uma das coisas que pode provocar um efeito traumático muito grande do ponto de vista política e social na nossa sociedade dentro de cinco, dez anos é a possibilidade de o crédito escassear. Nós estamos a ver hoje que as grandes dificuldades da nossa sociedade resultam do facto de os bancos não emprestarem”.
Deixo a entrevista de Medina Carreira ao Correio da Manhã/Rádio Clube que deve ser vista na íntegra:

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A Mais Nova Profissão do Mundo

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Na passada semana, Mark Penn escreveu um artigo extremamente interessante no Wall Street Journal (Wall Street Journal), com o título “America's Newest Profession: Bloggers for Hire”. Penn dá-nos a conhecer a nova realidade do blogger profissional, aquele que escreve, descreve e partilha informação e, mais do que isso, consegue rentabilizar a sua prestação de forma muito satisfatória. A ditadura dos leitores levada ao seu mais elevado patamar, a escrita e a opinião que influenciam e cativam os leitores, a mais pura e genuína forma de segmentar, de segregar e de premiar a qualidade, a originalidade e o mérito, ou pelo menos a capacidade de responder às correntes de opinião e às preferências dominantes.

Aquilo que começou como uma derivante tecnológica utilizada pelos mais criativos está a transformar-se rapidamente numa máquina poderosíssima de circulação e partilha de ideias e de informações, de utilização generalizada, agora potenciada por empresas e profissionais de primeira linha.

A popularização da opinião, a profissionalização dos “opinion makers”, o livre acesso à informação e a ditadura da publicidade on-line que alimenta esta indústria permitem aos profissionais mais bem sucedidos ganhar autênticas fortunas. Segundo Mark Penn “...it takes about 100,000 unique visitors a month to generate an income of $75,000 a year. Bloggers can get $75 to $200 for a good post, and some even serve as "spokesbloggers" -- paid by advertisers to blog about products…”


Nos Estados Unidos apenas, existem cerca de 20 milhões de bloggers para uma receita de 1,7 milhões de dólares, sendo que cerca de 452 mil utilizam o blogging como a sua primeira fonte de rendimento. “The best studies we can find say we are a nation of over 20 million bloggers, with 1.7 million profiting from the work, and 452,000 of those using blogging as their primary source of income. That's almost 2 million Americans getting paid by the word, the post, or the click -- whether on their site or someone else's…”

Trata-se efectivamente de uma nova realidade, uma nova profissão, uma nova fonte de rendimento, uma nova mentalidade. Da mesma forma que surgiu o informático, o passeador de cães ou o reciclador, temos agora o blogger profissional. “It is hard to think of another job category that has grown so quickly and become such a force in society without having any tests, degrees, or regulation of virtually any kind. Courses on blogging are now cropping up, and we can't be far away from the Columbia School of Bloggerism. There is a lot of interest now in Twittering and Facebooking -- but those venues don't offer the career opportunities of blogging. Not since eBay opened its doors have so many been able to sit at their computer screens and make some money, or even make a whole living".

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Kindle(A)ge e o futuro dos livros

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Nunca como hoje viveu o mundo um período tão fértil e profícuo em termos de geração e de circulação de informação.

Com enorme facilidade temos ao nosso dispôr as mais variadas ferramentas, gadgets, instrumentos, acessórios, periféricos, para aceder e tratar a informação

Por esta razão este tem necessariamente de ser um período rico e incomparavelmente fértil em termos de desenvolvimento e de progresso.

O Kindle é um exemplo vivo desta realidade. A informação à distância de um qlick, milhares de livros ao alcance de uma lista, jornais de todo o mundo, uma verdadeira biblioteca em tempo real e em qualquer lugar. Foi desenvolvido pela Amazoon e constitui um sucesso de vendas que vem revolucionar os livros e a leitura, a logística e o transporte, o correio e as comunicações. Nada será como até aqui, a nossa relação com a informação, a forma como lidamos com revistas, jornais e livros vai mudar e é importante que tenhamos consciência disto.



Partilho a experiência descrita pelo Professor Marty Linsky que de forma ilucidativa descreve o impacto que esta ferramenta teve no seu dia a dia:

“Max and Meredith's generation is already getting most of their reading done online and I, like many of my generation, could not imagine not having the crinkle of a newspaper in my hands.....until I got my Kindle, that is.

Now, we have bookshelves in almost every room of our house. Most are overflowing. I love to read, to curl up with a book before going to bed, to plow through the carton of books I take with me on vacation, or to sit with on a lazy Sunday in our apartment or in Central Park reading and sharing the mood and the space.

The Kindle has changed my life. I never thought I could live without turning the pages. I can. I never thought I could live without sticking Post-its on pages, or making notes to myself on the inside cover. I can. I never thought I could live without the satisfaction of turning that last page in a book. This too, I can. It is the size and weight of a typical paperback. It can hold 1500 books. And I could get magazines and newspapers, including the New York Times, delivered to the device as well. (No, I haven't yet succumbed to reading the Times on my Kindle.)

It is less and less likely that I will ever buy another book in the traditional format. I will certainly buy a lot less of them than I have done in the past. Now, I buy the book I want on Amazon (from the 250,000 that are available) at the computer in my home office and by the time I walk across the hall to me bedroom where the Kindle is plugged in, the book is already downloaded. At $9.99, or less.

The Kindle is not perfect. But it is close. And the Kindle 2 is even closer, at least according to the New York Times guru on personal technology, David Pogue.

Since 2006, Sony has its own device, the Sony Reader. Sony has also just created a strategic alliance with Google to meet the Kindle challenge. Google has finally worked out an agreement with authors and publishers to provide access to its huge digitized inventory on line, although Microsoft and others are trying to get in the way of the agreement every being implemented. The war for our virtual book, magazine and newspaper business is in full swing.

Google "newspaper closes". You'll get 3.8 million hits. Two weeks ago, it was one of my old favourites, the Seattle Post-Intelligencer, that went web-only. And the New York Times reported this weekend that it has threatened the union with closing the Boston Globe where both my wife and I were gainfully employed some time ago.

As a former newspaper journalist I am not one to mourn the loss of newspapers. I have more information, more good information, at my fingertips than I ever did before. Slowly, I am getting comfortable with getting information virtually, spurred on by friends, family and colleagues for whom this is second nature. It is Reset, and it is happening right before my eyes”.

O nosso mundo está cada vez mais pequeno e em simultâneo a nossa capacidade para gerar informação, potenciar conhecimento e descobrir novas realidades é cada vez maior. Será que haverá lugar para conjugar diferentes realidades, ou seremos inexoravelmente transformados pelo progresso e a nossa vida transformar-se-á de forma definitiva, relegando para o arquivo da história os utensílios, as ferramentas e as práticas de hoje?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Vamos pensar a Europa!

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Bastou-me assistir à segunda parte do programa da RTP, Prós e Contras, para apanhar o mote e avaliar as prestações dos nossos candidatos e, bem assim, dos nossos partidos.

O programa constituiu um excelente exemplo do país actual e do espírito videirinho que se instalou. Ruído e mais ruído, vácuo e vazio de ideias e de valores. Parecia que nos encontrávamos na assembleia geral de um clube de futebol.
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Uma total e completa ausência de questões europeias, uma total e completa abundância de questões laterais, vazias de contéudo e inconsequentes; o apoio ou não apoio a Durão Barroso, a questão das quotas de mulheres, a questão das candidatas autárquicas que não pretendem abdicar do conforto europeu, a avaliação ou não avaliação da actuação do Presidente da Comissão, etc. Questões pertinentes, sem dúvida, mas será que foram colocadas ou debatidas no local mais apropriado?
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Tivemos ontem um exemplo vivo do estado actual da nossa sociedade; conflituosa, áspera, beligerante, assintosa, rasteira, mediana e redundante, desconfiada e vazia. Este espírito espelha a qualidade da nossa política, revela a imensa necessidade de mudança, a extraordinária importância da reposição de valores de seriedade, de verdade, de altruísmo. Não é por acaso que se instala um clima desta natureza. Aqueles que deveriam constituir um exemplo, aqueles que deveriam funcionar como referências de isenção e de seriedade são os primeiros a vacilar, são os primeiros a cair na teia de interesses e benesses, favores e mordomias, mentiras e falcatruas. Um ambiente desta natureza contamina, contagia e faz apodrecer um país.

Tenho pena que não se tenham discutido temas relevantes e com repercussões para o futuro da União Europeia. Como reagiu a União à crise económica que se faz sentir? Serão estas as melhores opções para lidar com o desemprego e a recessão? Como lidar com a situação complexa em que vivem alguns dos recém chegados à União? Qual o papel do estado e qual a melhor estratégia de actuação? Qual a melhor forma de tirar partido de uma união politica e económica? Quais os critérios e a metodologia para a atribuição de subsídios e ajudas actuais? Quais os perigos e as vantagens da União Europeia actual? Porque é que os portugueses devem votar nestas eleições?

Na realidade, para o português médio que vive momentos de grande dificuldade, que se vê numa situação de desemprego e sem perspectivas de mudança, com graves dificuldades de sobrevivência, quais são as vantagens de pertencer a uma União, e existem várias, versus estar a solo num país cada vez mais inconsequente e irrelevante?

Estou certo de que o debate de ontem não serviu a ninguém, foi antes mais um exemplo do distanciamento do país político em relação ao país real e, se alguém saiu reforçado, foi certamente a abstenção.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Smart(G)ates

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Pouco a pouco, a nova administração americana está a ganhar à vontade e confiança. Depois de uma entrada bastante marcada pelo pacote económico anti-crise, chegou a altura de se começarem a delinear as bases para as tão esperadas mudanças em áreas vitais como a saúde, a educação e a defesa.

Os Estados Unidos são de longe o país que mais gasta em termos militares, e o investimento nesta área alimenta uma indústria gigantesca e tentacular, com grande influência sobre o poder político e, obviamente, grande relevância económica em termos de emprego e de riqueza gerada, um pouco por toda a América. A título de exemplo, o orçamento de defesa para 2009 corresponde a 655$ biliões, ou seja, mais do que os orçamentos de defesa da China, da Rússia, da França e da Inglaterra juntos.

Face a este cenário, a política de redefinição militar esperada e perspectivada por esta administração aponta num claro sentido de redução e reestruração do orçamento e dos gastos militares. Robert Gates, o secretário da defesa, que transita da anterior administração, dá sinais claros de querer enfrentar o lobby do armamento e o lobby militar. As perspectivas são de redimensionamento e a aposta é na adaptação do poder militar à realidade dimensional dos potenciais adversários. O avanço tecnológico e a flexibilidade de movimentos serão, na minha opinião, as preocupações.

Fareed Zakaria, mais uma vez, na sua crónica brilhante da Newsweek, escreve sobre esta matéria e deixa-nos algumas reflexões sobre a capacidade e as dificuldades que Robert Gates irá enfrentar. Reproduzo aqui este artigo clarificador.


Is Robert Gates A Genius?
Published Apr 11, 2009, Newsweek Magazine


"When a true genius appears," the English satirist Jonathan Swift wrote, "you may know him by this sign; that all the dunces are in confederacy against him." Genius might be a bit much as a description of the secretary of defense, but Robert Gates's budget proposal has certainly gathered all the right opponents. There are the defense contractors, worried that decades of fraudulent accounting are coming to a halt; the Beltway consultants for whom the war on terror has been a bonanza; the armed services, which have gotten used to having every fantasy funded; and the congressmen who protect all this institutionalized corruption just to make sure they keep jobs in their state.

If you're wondering where to come down on the Gates plan, here's a simple guide: John McCain, the most thoughtful, reform-minded legislator on military issues, "strongly supports" it. Oklahoma Sen. James Inhofe—who has compared the EPA to the Gestapo, Carol Browner to Tokyo Rose and environmentalists to the Third Reich—warns that it will lead to the "disarming of America." You choose.

In recent decades, defense budgeting has existed in a dreamland, where ever-more-elaborate weapons are built without regard to enemies, costs or trade-offs. In 2008 the General Accounting Office said cost overruns for the Pentagon's 95 biggest weapons programs—just the overruns!—added up to $300 billion. The system has become so pervasive and entrenched that most people no longer bother to get outraged.

The endless flow of cash from the taxpayer has prevented strategic thought. Much of the Pentagon budget is based on wish lists from the services, often lists that were conceived during the Cold War. The Air Force developed such a strong attachment to its F-22 fighter-plane program that it failed to notice that the Soviet Union had collapsed and no great-power rival was around to get into dogfights with the U.S. military. We're fighting two wars right now, and not one of the 135 or so F-22s that we already have is being used in either theater. If you're wondering why the program is still around, here's one reason: its manufacture has been spread across 44 states.

Gates also trims the Navy's wish list, cutting its destroyer program. But here his ambition suddenly dried up. He did propose that the United States scale back one of its aircraft-carrier groups, going from 11 to 10—but it will happen 31 years from now! Even so, of course, he faces the usual conservative opposition. The Wall Street Journal worries that a 300-ship Navy is "perilously small." In the recent clash with Somali pirates, it points out that U.S. warships were "hours away." Well, if you've traveled by sea, you'll know that ships move slower than planes. Given the vastness of the oceans, the fact that American naval vessels could reach a relatively nonstrategic location within a few hours is actually a sign of the incredible reach of the Navy, not the opposite.

Gates has really just begun a much-needed process of rethinking American defense strategy after the Cold War. He has focused sensibly on the wars we are actually fighting, to make sure the military is equipped to wage them success- fully. But while we don't need the F-22, we are still going to make 2,443 F-35s at an eventual cost of $1 trillion. Do we really need those? What is the thinking behind that program?

American military budgets should be based on two competing imperatives. The first is that we are likely to be engaged in small, complex conflicts with much weaker opponents in difficult terrain. In other words, Iraq and Afghanistan. The Gates budget makes intelligent provision for these kinds of wars—in which manpower and intelligence are key. The second requirement is deterrence. The U.S. military protects global sea lanes and, in a general sense, preserves the peace. If the Somali pirates were to cause too much trouble, eventually it would be the United States military that would help tackle them. If the Chinese were considering offensive actions in Asia, it is the American response that would make them cautious.

But these imperatives can surely be satisfied with a military that is leaner, more cost-effective, more efficient and does keep somewhere in mind the capacity of potential adversaries. The U.S. Navy has 11 aircraft-carrier groups. China has zero. The U.S. defense budget for 2009 is $655 billion. China's is $70 billion, Russia's is $50 billion. America's cumulative cost overruns add up to more than the total annual defense budgets of China, Russia, Britain and France combined. This smacks less of deterrence and more of mindless extravagance and waste.

Coming up next for Gates is the Quadrennial Defense Review. He should take the opportunity—his last one to leave a long legacy—and move the United States toward a military strategy that is shaped by the world we actually inhabit. That would make him a true genius. He will certainly have all the dunces arrayed against him to prove it".

Fareed Zakaria, in Newsweek

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Encravada nos Rochedos

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É sempre uma tranquilidade regressar ao Alentejo. Aquela imensidão imensa, aquele olhar cansado. Talvez por ser ilhéu ou apesar desta circunstância nutro um enorme carinho pelo Alentejo. A planície inspira-me, a profundidade tranquiliza-me; as oliveiras, os sobreiros, o gado disperso, o casario ausente e aquele cheiro intenso a terra e feno.

São vários aqueles que se deixam inspirar por esta terra sem fim. O Alentejo é um estado espírito, uma predisposição e por isso são muitos aqueles que o escrevem e que o pintam. Deixo alguns poemas de Miguel Torga e Manuel Alegre sobre o Alentejo:

Miguel Torga, “Alentejo”, in Morena a terra-moreno o canto, Antologia de temática alentejana

(...)
Um corpo nu, em lume ou regelado,
Que tem o rosto da serenidade.


Miguel Torga, “Alentejo”, poema in Diário, X

No Alentejo, em fins de Julho ou princípios de Agosto, o olhar atinge o seu zénite. No horizonte raso e limpo, tudo parece pegado à terra: muros, árvores, medas de palha, montes, quando se avistam distantes. Um delírio de luz sobe à cabeça, como a música das cigarras, e faz doer. As coisas todas estalam como romãs maduras, e ficam cheias de brilhos. Mesmo dentro de casa, com portas e janelas trancadas, a luz entra pelas frestas, entorna-se pelas tijoleiras e reflete-se, tenuamente rosada, na brancura das paredes. (...) Cheira a barro e a cal, cheira a coentros e a queijo seco. Cheira ao que é da terra e regressa à terra. (...) Neste longo, ardente verão do sul, apenas as cigarras têm modulações amplas. À roda tudo é silêncio e secura. Os próprios homens quase não têm fala, mas os seus olhos queimam como duas pedras expostas ao sol durante milhares de dias. (...)

...

Manuel Alegre, “Alentejo”, in Alentejo e Ninguém

Rumor tão breve
música do ser
(...)
E de súbito um choupo
Talvez o canto.
Tão pouco
e tanto.

A este propósito, revisitar o Marvão é regressar às origens da nacionalidade, é viajar pelo tempo, conviver com batalhas, escalar muralhas, construir castelos, é sentir um povo que definha, umas raízes que desvanecem, uma história que se esfuma no nevoeiro.

Mas o Marvão é também um pouco do que melhor nos caracteriza; a resistência, a criatividade, a capacidade de empreender, a força e a audácia na luta contra as adversidades. Encravada nos rochedos, a Vila do Marvão resiste às intempéries da idade, à voracidade da mudança.

A Vila do Marvão localiza-se no Distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo, com cerca de 645 habitantes. Situa-se no topo da Serra do Sapoio, a uma altitude de 860 metros. É sede de um município com 154,85 km² de área e 4.029 habitantes (2001), subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte e leste pela Espanha, a sul e oeste pelo município de Portalegre e a noroeste por Castelo de Vide.

“Marvão deve o seu nome a Ibn Marwan al-Yil'liqui «O Galego» (morto c. 889), líder de um movimento sufista no Al-Andaluz, que pegou em armas contra os emires de Córdova e criou uma espécie de reino independente sediado em Badajoz até à instauração do califado de Córdova em 931”.

Segundo reza a história muitas foram as batalhas aqui travadas e muitos foram os acontecimentos que aqui ocorreram. A Câmara Municipal refere a título de exemplo:

“Em 1226, D. Sancho II atribui a Marvão o seu primeiro foral, um dos primeiros forais régios no Alentejo.

A importância estratégica de Marvão - e de outros Castelos da raia - levam D. Dinis a disputá-lo a seu irmão D. Afonso, no ano de 1299, apoderando-se da fortificação”.

Na crise de 1383-1385 dá-se a tomada do Castelo por forças partidárias do Mestre de Avis, após renhido combate que durou meio dia.

Aquando da Guerra da Restauração de 1641-1668, a velha fortificação medieval é reabilitada face às novas tecnologias de guerra, ficando abaluartada nas zonas sensíveis e transformando-se o Castelo na sua cidadela. No decorrer da guerra desempenha um importante papel na defesa do Alto Alentejo”.

sábado, 11 de abril de 2009

O Modelo Americano

(Deixo o artigo que publiquei este fim de semana no Semanário Expresso)


Nos Estados Unidos, a distribuição de correio remonta ao ano de 1775, altura em que foi assumido pelo Congresso que a circulação de cartas e a partilha de informação eram essenciais à causa da liberdade. Dá-se então o primeiro passo na criação do sistema postal, instituindo a função de Postmaster General.

Os titulares desta função passaram, a partir de 1788, a reportar directamente ao Presidente e os nomes de muitos que a exerceram abonam a favor do prestígio que os serviços postais assumiam: Benjamin Franklin, Founding Father da nação e, mais tarde, Abraham Lincoln e Harry Truman.

No final dos anos 60, níveis de crescimento elevados obrigaram o Presidente Lyndon Johnson a nomear uma Comissão para a Reorganização Postal. Desta Comissão emanaram directivas várias que serviram de base à “Postal Reform” de 1970. A responsabilidade operacional investida num Conselho de Governadores e numa Comissão de Gestão Executiva em vez de no Congresso é talvez uma das mais significativas. O objectivo era assegurar a continuidade da gestão através da remoção de toda e qualquer influência política.

Neste modelo, o Conselho de Governadores é formado por nove elementos nomeados pelo Presidente, com a aprovação e aconselhamento do Senado. Estes nove governadores escolhem o Postmaster General, que também passa a ter assento no Conselho e que tem um mandato indefinido sujeito ao Conselho. Os dez nomeiam o Deputy Postmaster General que passa a deter o poder executivo.

Os governadores são escolhidos para representar o interesse público e apenas cinco podem pertencer ao mesmo partido. Os mandatos dos governadores variam entre um e nove anos e, no início de cada ano, é escolhido um “Chairman of the Board”. O Conselho de Governadores reúne-se mensalmente e, salvo disposição em contrário, todas as reuniões são abertas ao público. Cada governador recebe 300$ por dia de sessão, tem as despesas pagas e recebe anualmente um salário de 30.000$.

A United States Postal Service (USPS) é a segunda maior empregadora dos Estados Unidos e a quarta maior do mundo, emprega 700 mil funcionários. Processa cerca de 212 biliões de objectos por ano, gere a segunda maior frota de veículos do mundo, lida com 50% do correio gerado, distribuindo mais correio para mais moradas numa área geográfica, do que qualquer outra empresa. Presentemente, cerca de 90% do correio (cartas) não regista qualquer intervenção humana até ser entregue na morada final. A USPS possui um desenvolvimento tecnológico invejável e caminha para um nível de mecanização sem rival, antecipando a maior reforma postal do século XXI.

O modelo implementado em 1971 provou os seus méritos e constitui uma demonstração de maturidade política e uma preocupação genuína com a eficiência e com o profissionalismo. No momento actual, em que se assiste a uma cavalgada estatizante, um modelo que assegure a continuidade temporal e a estabilidade das equipas executivas, que se foque numa gestão eficiente, que aposte no mérito, mais do que na fidelidade política, e que assegure a transparência com um custo comportável pelo contribuinte; é essencial para garantir o sucesso de uma gestão em tempos de crise.