terça-feira, 15 de setembro de 2009

"O Símbolo Perdido"

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A Random House lança hoje nos Estados Unidos o 5º livro de Dan Brown. Uma primeira edição com uma tiragem impressionante de 6,5 milhões de exemplares, em língua inglesa.
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Desta vez Dan Brown circula pelos meandros de uma Washington DC maçónica e institucional. Robert Langdon é acompanhado agora pela pesquisadora Katherine Solomon, estudiosa das conexões entre o corpo e a mente, e o enredo decorre num período de 12 horas. Os segredos da maçonaria escondidos e codificados na arquitectura, o misticismo, as sociedades secretas e os locais recônditos.
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Segundo as críticas deste fim-de-semana no New York Times, apesar das semelhanças com as sagas anteriores, "O Símbolo Perdido" conquista o leitor do começo ao fim. "No universo hermético do livro, a motivação dos personagens não precisa fazer sentido, apenas tem que gerar acção, o que torna impossível largar a leitura".
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Dan Brown constitui um fenómeno literário, não tanto pela qualidade ou pela perfeição da sua escrita, mas sobretudo, pelo sucesso dos seus livros. Alcança a proeza de conseguir que milhões de pessoas o leiam, um pouco por todo o mundo. Efectivamente, conforme escreveu o jornalista brasileiro Paulo Nogueira: “Não sei quanto tempo de vida tenho (espero que muito, ou o suficiente.). O que sei é que tenho que escolher com cuidado meus livros. Bestsellers como o de Dan Brown não cabem na minha agenda de leituras. Considero um desperdício. Não que eu seja um intelectual. Não, definitivamente não sou. Um simples jornalista. Apenas o tempo é pouco e os livros são muitos. Uma página que vou ler de Dan Brown é uma que deixarei de ler de Séneca: Ou Montaigne. Ou Henry Miller. Ou Graham Greene. Não. Mas. Mas o facto é que 81 milhões de cópias de “O Código Da Vinci” foram vendidas no mundo desde que o livro foi lançado, em 2003.”


Segundo Janet Maslin, do New York Times: “Mr. Brown was writing sensational visual scenarios long before his books became movie material. This time he again enlivens his story with amazing imagery. Some particularly hot spots: the unusually suspense-generating setup for Katherine’s laboratory; the innards of the Library of Congress; the huge tank of the architeuthis; and two highly familiar tourist stops, both rendered newly breathtaking by Mr. Brown’s clever shifting of perspective. Thanks to him, picture postcards of the capital’s most famous monuments will never be the same.”
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Apesar de tudo, os livros de Brown não nos param de surpreender e, sobretudo, de cativar. Depois de Paris e de Roma, a escolha de Washington DC constitui, na minha opinião, mais um motivo de curiosidade e de atracção. A capital dos Estados Unidos é uma cidade fascinante e misteriosa, a arquitectura institucional, os edifícios que albergam organizações desconhecidas, os museus austeros, as bibliotecas labirínticas e os espaços verdes que geometricamente enquadram toda a envolvente, constituem motivos mais do que suficientes para que esta venha a ser mais uma história fascinante.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

“Remastering The Beatles”

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Esta passada quarta-feira, 9 de Setembro de 2009, ficará para a história como o chamado “dia dos Beatles”. Foi lançado o jogo para consola "The Beatles: Rock Band" e, em simultâneo, toda a discografia da banda de Liverpool foi “remastered”. A EMI lançou no mercado toda a discografia “remastered” da banda de Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Star.

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Serão assim três as hipóteses de recuperar os êxitos dos Beatles; uma caixa com todos os álbuns, outra caixa que inclui ainda as gravações em “mono” realizadas na década de 60 e, como terceira hipótese, a compra dos álbuns de forma avulsa.

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Este trabalho exaustivo demorou quatro anos e foi realizado pela Abbey Road e pelo engenheiro de som Allan Rouse. Segundo um artigo no The Globe and Mail, ficamos a saber que: “Remastering the catalogue was both a simple and painstaking process. Working chronologically from first Beatles recording to last, Rouse and his team members took the original ¼-inch stereo master tapes, transferred them into the digital recording software ProTools (at 24-bit, 192-kHz), listened to each song five or six times on headphones and different sets of speakers in a variety of rooms, and then subtly addressed any noises they considered extraneous by altering equalizer levels.”
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A expectativa deste lançamento era grande, todos esperavam que a EMI aproveitasse a ocorrência simultânea do lançamento do videojogo musical, do novo catálogo “remastered”, do evento da Apple dedicado à música, para dar início à comercialização de downloads legais da banda de Liverpool na loja do iTunes, mas infelizmente, tal expectativa saiu mais uma vez gorada.

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De qualquer forma, a discografia inteira dos Beatles já se encontra desde há anos disponível em qualquer site ou rede de partilha de ficheiros. Se dúvidas restassem de que o lançamento em versão digital da obra da banda teria um impacto significativo, basta lembrar que, quase uma semana antes do lançamento da caixa com o catálogo “remastered” em mono (11 álbuns e singles) e stereo (13 álbuns e singles), já se podia encontrar e descarregar a custo zero através de sites de torrents, serviços de alojamento de ficheiros e blogs de música.

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Os Beatles são a banda mais marcante na história da música. Constituem um fenómeno de sucesso incomparável ainda hoje, passados mais de 50 anos desde a sua origem, e a sua capacidade para influenciar e transformar o mundo da música não tem precedentes entre outros artistas. Os Beatles marcaram uma geração e trouxeram para a música uma nova forma de actuar, uma nova atitude perante as audiências. Mais do que isso, a sua forma de vestir, os seus cortes de cabelo e a sua crescente consciência social exerceram forte influência sobre a juventude da época e contribuíram para um fenómeno de culto e adoração classificado de “beatlemania".

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Foram a primeira banda a fazer vídeos musicais das suas canções e o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band foi o primeiro no mundo a conter um encarte com fotos e letras das suas canções. Em 2003, a revista americana Rolling Stone classificou-o como o melhor álbum de todos os tempos e, em 2004, incluiu os Beatles em primeiro lugar na Lista dos Cem Maiores Artistas de Todos os Tempos. De acordo com a mesma revista, a música inovadora e o impacto cultural dos Beatles ajudaram a definir a década de 1960 e a sua influência cultural e pop ainda continua viva e intensa nos dias de hoje.
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Pela inventividade e originalidade das suas canções, John Lennon e Paul McCartney formaram a mais celebrada e famosa dupla musical de sempre.

“Prayer and Remembrance”

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Passaram já oito anos desde o fatídico 11 de Setembro de 2001. Hoje, o mundo e em especial o povo americano recordam os trágicos acontecimentos de Nova York e Washington.

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Trata-se do primeiro aniversário sob a égide do Presidente Obama e à luz da sua política, da sua forma de gerir, da sua maneira de estar e de se relacionar com o mundo e em especial com os americanos. Neste sentido, o Presidente designou o período entre 4 e 6 de Setembro “National Days of Prayer and Remembrance” e pediu aos americanos para que se envolvam em projectos comunitários e acções de voluntariado. O programa envolve, entre outras actividades, cozinhar refeições para os pobres, plantar e arranjar jardins, ajudar em reparações de casas degradadas ou preparar pacotes de material escolar para crianças desfavorecidas.

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Obama inaugura assim, mais uma vez, uma nova postura e uma nova abordagem perante tão fatais acontecimentos. É notória uma actuação mais diplomática e consensual, mais agregadora do que fracturante, mais pedagógica do que emotiva, mais ponderada do que reactiva.
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O “Smart Power” de Hillary e Obama tem, mais do que tudo, representado uma mudança radical de imagem e de postura dos Estados Unidos perante o mundo e os resultados em termos de reconhecimento e aceitação da “american way of life” constituem hoje uma realidade mais viva e efectiva. Espero que o mundo muçulmano saiba aproveitar esta oportunidade de abertura e de aproximação e que o terrorismo não volte tão cedo sob o risco desta administração se desmoronar em termos de aceitação pública e de credibilidade, sendo obrigada a mudar radicalmente de política e de atitude. Seria péssimo para a América e trágico para o mundo.

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Não quero deixar passar mais este aniversário sem prestar a minha homenagem às vítimas deste atentado, mas também à capacidade regeneradora e empreendedora deste povo e desta gente que teve a habilidade e a inteligência de ultrapassar sem esquecer, de reconstruir sem transformar, de levantar a cabeça com dor e sofrimento.
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Deixo o comunicado do Presidente sobre estes dias de recordação:
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“They were daughters and sons, sisters and brothers, mothers and fathers, spouses and partners, family and friends, colleagues and strangers. They hailed from cities and towns across our Nation and world. On September 11, 2001, thousands of innocent women and men were taken from us, and their loss leaves an emptiness in our hearts.

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Hundreds perished as planes struck the skyline of New York City, the structure of the Pentagon, and the grass of Pennsylvania. In the immediate aftermath of these tragedies, many victims died as they sought safety. Selflessly placing themselves in danger, first responders, members of the Armed Forces, and private citizens made the ultimate sacrifice working to assist others. During the National Days of Prayer and Remembrance, Americans across the country cherish the memory of all those who passed and honour and pray for their families and friends.
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Americans also remember and pray for the safety and success of the members of the United States Armed Forces, who work every day to keep our Nation safe from terrorism and other threats to our security. Military members assisted those in need on September 11, 2001, and serve now in Iraq, Afghanistan, and around the world. They have left the safety of home so that our Nation might be more secure. They have endured great sacrifice so that we might enjoy the blessings of liberty.
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Our service members represent the best of America, and they deserve our deepest respect and gratitude.
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The threat of terrorism has denied too many men, women, and children their right to live in peace and security. As the United States works to defeat terrorists and build a more hopeful future for our children and young people across the world, we seek humility and strength. We reflect upon the lessons drawn from our national tragedy, seek God's guidance and wisdom, and, never forgetting the lost, commit to working in common cause with our friends and allies to create a safer and brighter world for current and future generations.
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NOW, THEREFORE, I, BARACK OBAMA, President of the United States of America, by virtue of the authority vested in me by the Constitution and laws of the United States, do hereby proclaim Friday, September 4, through Sunday, September 6, as National Days of Prayer and Remembrance. I ask that the people of the United States, each in their own way, honour the victims of September 11, 2001, and their families through prayer, memorial services, the ringing of bells, and evening candlelight remembrance vigils. I invite the people of the world to share in this solemn commemoration.”

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Regresso às Aulas

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Os alunos americanos regressam hoje às aulas e este regresso será marcado pelo discurso do Presidente aos estudantes. Depois de muita controvérsia, acesa discussão e acalorado debate, Obama discursa perante a comunidade escolar norte americana, à semelhança do que já fizeram Ronald Regan e George H. Bush.
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A questão podia ser delicada quando ainda não se conhecia o conteúdo do discurso, mas uma vez divulgado previamente o texto, no site da Casa Branca, não vejo razões para apreensão ou receios de afrontas ideológicas. Os infundados temores de evangelização, doutrinação ou planfletismo liberal darão lugar, na minha opinião, a um consenso nacional para com os princípios e os ideais aí expressos e desenvolvidos.
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Na realidade trata-se de um discurso bastante bem escrito, genuíno, transparente, com passagens sobre a experiência pessoal de Obama. Trata-se, na minha opinião, de mais um exemplo de liberdade, de nacionalismo, de consciência do país e da sua grandeza, mas também de credibilidade, de apologia do esforço, de compensação pelo mérito, de aposta no trabalho, de confiança no sistema de ensino e nas capacidades daqueles que o conduzem.
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Como por exemplo: “… no matter what you want to do with your life – I guarantee that you’ll need an education to do it. You want to be a doctor, or a teacher, or a police officer? You want to be a nurse or an architect, a lawyer or a member of our military? You’re going to need a good education for every single one of those careers. You can’t drop out of school and just drop into a good job. You’ve got to work for it and train for it and learn for it. And this isn’t just important for your own life and your own future. What you make of your education will decide nothing less than the future of this country. What you’re learning in school today will determine whether we as a nation can meet our greatest challenges in the future”.

Passagens como “Where you are right now doesn’t have to determine where you’ll end up. No one’s written your destiny for you. Here in America, you write your own destiny. You make your own future”, constituem o exemplo da largueza de visão deste povo e, sobretudo, da ousadia confiante que depositam no futuro de um país.
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Ou por exemplo: “No one’s born being good at things, you become good at things through hard work. You’re not a varsity athlete the first time you play a new sport. You don’t hit every note the first time you sing a song. You’ve got to practice. It’s the same with your schoolwork. You might have to do a math problem a few times before you get it right, or read something a few times before you understand it, or do a few drafts of a paper before it’s good enough to hand in.
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Don’t be afraid to ask questions. Don’t be afraid to ask for help when you need it. I do that every day. Asking for help isn’t a sign of weakness; it’s a sign of strength. It shows you have the courage to admit when you don’t know something, and to learn something new. So find an adult you trust – a parent, grandparent or teacher; a coach or counselor – and ask them to help you stay on track to meet your goals.”
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Esta é também uma mensagem de humildade e de esperança, digna dos que são grandes, característica dos que não temem a concorrência, apanágio dos que são mesmo bons.
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Nunca desistir, nunca vergar, nunca ceder e estar consciente da responsabilidade pessoal e social para com o país e para com a nação americana. “And even when you’re struggling, even when you’re discouraged, and you feel like other people have given up on you – don’t ever give up on yourself. Because when you give up on yourself, you give up on your country.
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The story of America isn’t about people who quit when things got tough. It’s about people who kept going, who tried harder, who loved their country too much to do anything less than their best.
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It’s the story of students who sat where you sit 250 years ago, and went on to wage a revolution and found this nation. Students who sat where you sit 75 years ago who overcame a Depression and won a world war; who fought for civil rights and put a man on the moon. Students who sat where you sit 20 years ago who founded Google, Twitter and Facebook and changed the way we communicate with each other.”
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Mais um discurso brilhante de Barack Obama, exemplo também do respeito pela diferença, da tolerância perante os que pensam de outra forma. Muitas escolas optaram por não transmitir esta intervenção do Presidente, uma decisão polémica mas consciente. Só num país livre e democrático é tolerável uma atitude deste tipo. Já imaginaram o que seria se acontecesse em Portugal!
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Infelizmente, não me parece sequer praticável um discurso desta natureza entre nós. A nossa actual classe política e dirigente não tem a estatura moral, a credibilidade, os princípios éticos, não tem o passado, nem o futuro, nem a experiência pessoal à altura deste discurso.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pela Liberdade


Portugal vive actualmente um período de verdadeiro ataque à liberdade e uma profunda asfixia democrática. Nunca como hoje foi tão claro e evidente o poder de influência e a acção repressiva e controladora de um governo.
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Todos os dias nos deparamos, e de forma cada vez mais flagrante e despudorada, com manifestações de repressão sobre a sociedade e sobre os cidadãos. Uma necessidade desmesurada em controlar a informação, uma vontade imensa de gerir os pormenores, uma atenção pidesca às manifestações de vontade, uma actuação persecutória e vingativa, uma influência tentacular sobre tudo e sobre todos, uma gestão democrática ao nível da mais primária e ditatorial América Latina. Esta é hoje a nossa realidade, esta é hoje a nossa praxis democrática.
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Quando o mundo civilizado se preocupa em acelerar o seu ritmo de crescimento, em melhorar o nível de vida das suas populações, em promover a comunicação e a liberdade de expressão; o governo português entretém-se a silenciar as fontes de informação, preocupa-se em controlar os órgãos de comunicação social, em calar os “insurrectos”, em reprimir os que pensam de forma diferente. Efectivamente, as nossas relações internacionais e os nossos amigos estrangeiros são hoje o presidente Chávez, o grande paladino da democracia na América Latina, ou o presidente Kadhafi, mecena do terrorismo mais primário. A este propósito não é despicienda a participação recente do nosso ministro dos negócios estrangeiros nas comemorações do 40º aniversário da revolução líbia ou a estreitíssima coordenação institucional com a Venezuela Chavista.
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Este manto diáfano da mordaça, com o qual nos querem cobrir, teve ontem um dos seus pontos mais sintomáticos. A suspensão do Jornal Nacional da TVI é no mínimo hilariante, não fosse constituir a mais pura demonstração da profunda asfixia democrática que grassa actualmente por estas paragens. Podemos, legitimamente, concordar ou não com a forma e com o conteúdo deste telejornal, podemos, legitimamente, questionar a escolha da temática, o estilo, a postura da apresentação. Não podemos é silenciar o ataque à liberdade de expressão, o desrespeito por uma comunicação social livre e o bafio subserviente que nos querem impor, dignos de uma concepção de democracia e de liberdade comum a países totalitários e terceiro mundistas.
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Resta ainda ao povo português a realização de eleições e a participação cívica nos próximos actos eleitorais. Esta será talvez a última réstia de esperança para, de forma clara, inequívoca e consequente dizer basta! È necessário mudar, é fundamental varrer esta tralha antidemocrática que nos espezinha e nos quer amordaçar.

domingo, 30 de agosto de 2009

Um Ano de Vida

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A Pata do Gaspar completa hoje um ano de vida. A passagem do tempo é uma realidade inultrapassável e a única garantia da nossa aprendizagem, da consolidação do nosso conhecimento e do prazer que devemos tirar da passagem terrena.
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Aproveito para agradecer a todos os que me lêem e a todos os que têm a amabilidade de comentar os meus “posts”. Os meus textos não passam de reflexões despretensiosas sobre assuntos que me interessam e uma forma singela de partilhar um pouco da minha vivência, das minhas experiências e das minhas opiniões. Com maior ou menor assiduidade procurei deixar alguns contributos, à luz das minhas motivações e tendo em conta o interesse e a actualidade dos temas para os meus potenciais leitores.:
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A minha viagem a Washington DC e o espírito desta cidade continuam no meu coração. Os exemplos e as experiências que aí vivi acompanham-me no dia a dia e procuro, continuadamente, adaptá-los à realidade portuguesa. Os Estados Unidos são a minha matriz de referência e a minha fonte de inspiração constante.
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Os Açores são o meu berço e o meu porto de abrigo. Dedico-lhes toda a minha atenção e preocupo-me genuinamente com o seu estado de preservação, com o seu grau de desenvolvimento e com todas as iniciativas que atentam contra a sua beleza imaculada e a sua natureza exuberante. Melhor do que eu, o texto da minha mulher sobre os Açores constitui um exemplo vivo de como vivemos apaixonadamente a exuberância destas ilhas de bruma.
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A realidade política, a nossa classe dirigente, as principais medidas legislativas são também, de quando em vez, temas abordados, embora o faça sempre de passagem. As minhas responsabilidades profissionais e o meu sentido de ética obrigam-me a algum cuidado que procuro gerir delicadamente, de forma a não colidir com a minha inalienável liberdade de opinião.
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Em último lugar, o Gaspar, o grande inspirador deste meu trabalho. Continua a acompanhar-me fielmente nas minhas escritas e a sua dedicação, impaciência e carinho são uma imensa fonte de inspiração e uma garantia de continuidade.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

JFK – Coragem, Justiça, Integridade, Dedicação

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A propósito do desaparecimento de Ted Kennedy e tendo em conta o período pré-eleitoral que se vive em Portugal, recordo um dos melhores discursos, na minha opinião, do Presidente Kennedy.


Em Janeiro de 1961, John F. Kennedy, a cerca de quinze dias de ser empossado como 35ª Presidente dos Estados Unidos, regressou a Massachusetts, a sua comunidade de origem e aquela que o elegeu para os mandatos exercidos no Senado.

Dirigindo-se aos seus conterrâneos, o Presidente Kennedy agradece a confiança que sempre lhe manifestaram e refere que todos os que exercem cargos públicos devem ver os seus sucessos ou fracassos julgados através da resposta a quatro questões distintas: Fomos verdadeiramente homens de coragem? Fomos verdadeiramente homens justos? Fomos verdadeiramente homens íntegros? Fomos verdadeiramente homens dedicados?


O exemplo de dedicação à causa pública e de disponibilidade ao serviço da nação que nos deixa a família Kennedy deve servir de referência para todos os que se interessam pelo seu país e que estão dispostos a exercer funções políticas, a bem da sua comunidade e da melhoria da qualidade de vida dos seus concidadãos. As grandes nações são sustentadas por grandes homens. Kennedy foi um destes grandes homens, como o foram George Washington, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, Alexander Hamilton, entre outros, os Founding Fathers deste país.

Portugal precisa de exemplos destes; exemplos de integridade, de abnegação, de dedicação, de solidariedade, de competência, de altruísmo, de inteligência e vontade de fazer. Só assim será possível construir um país mais capaz, uma sociedade mais dedicada, uma classe política menos corrupta, um povo menos invejoso.

Address of President-Elect John F. Kennedy Delivered to a Joint Convention of the General Court of the Commonwealth of Massachusetts - The State House, Boston
January 9, 1961



“I have welcomed this opportunity to address this historic body, and, through you, the people of Massachusetts to whom I am so deeply indebted for a lifetime of friendship and trust.

For fourteen years I have placed my confidence in the citizens of Massachusetts--and they have generously responded by placing their confidence in me.
Now, on the Friday after next, I am to assume new and broader responsibilities. But I am not here to bid farewell to Massachusetts.
For forty-three years--whether I was in London, Washington, the South Pacific, or elsewhere--this has been my home; and, God willing, wherever I serve this shall remain my home.
It was here my grandparents were born--it is here I hope my grandchildren will be born.
I speak neither from false provincial pride nor artful political flattery. For no man about to enter high office in this country can ever be unmindful of the contribution this state has made to our national greatness.
Its leaders have shaped our destiny long before the great republic was born. Its principles have guided our footsteps in times of crisis as well as in times of calm. Its democratic institutions--including this historic body--have served as beacon lights for other nations as well as our sister states.
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For what Pericles said to the Athenians has long been true of this commonwealth: "We do not imitate--for we are a model to others."
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And so it is that I carry with me from this state to that high and lonely office to which I now succeed more than fond memories of firm friendships. The enduring qualities of Massachusetts--the common threads woven by the Pilgrim and the Puritan, the fisherman and the farmer, the Yankee and the immigrant--will not be and could not be forgotten in this nation's executive mansion.
They are an indelible part of my life, my convictions, my view of the past, and my hopes for the future.
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Allow me to illustrate: During the last sixty days, I have been at the task of constructing an administration. It has been a long and deliberate process. Some have counselled greater speed. Others have counselled more expedient tests.
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But I have been guided by the standard John Winthrop set before his shipmates on the flagship Arabella three hundred and thirty-one years ago, as they, too, faced the task of building a new government on a perilous frontier.


"We must always consider," he said, "that we shall be as a city upon a hill--the eyes of all people are upon us."
Today the eyes of all people are truly upon us--and our governments, in every branch, at every level, national, state and local, must be as a city upon a hill--constructed and inhabited by men aware of their great trust and their great responsibilities.
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For we are setting out upon a voyage in 1961 no less hazardous than that undertaken by the Arabella in 1630. We are committing ourselves to tasks of statecraft no less awesome than that of governing the Massachusetts Bay Colony, beset as it was then by terror without and disorder within.
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History will not judge our endeavours--and a government cannot be selected--merely on the basis of colour or creed or even party affiliation. Neither will competence and loyalty and stature, while essential to the utmost, suffice in times such as these.
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For of those to whom much is given, much is required. And when at some future date the high court of history sits in judgment on each one of us--recording whether in our brief span of service we fulfilled our responsibilities to the state--our success or failure, in whatever office we may hold, will be measured by the answers to four questions:
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First, were we truly men of courage--with the courage to stand up to one's enemies--and the courage to stand up, when necessary, to one's associates--the courage to resist public pressure, as well as private greed?
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Secondly, were we truly men of judgment--with perceptive judgment of the future as well as the past--of our own mistakes as well as the mistakes of others--with enough wisdom to know that we did not know, and enough candor to admit it?
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Third, were we truly men of integrity--men who never ran out on either the principles in which they believed or the people who believed in them--men who believed in us--men whom neither financial gain nor political ambition could ever divert from the fulfillment of our sacred trust?
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Finally, were we truly men of dedication--with an honor mortgaged to no single individual or group, and compromised by no private obligation or aim, but devoted solely to serving the public good and the national interest.
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Courage--judgment--integrity--dedication--these are the historic qualities of the Bay Colony and the Bay State--the qualities which this state has consistently sent to this chamber on Beacon Hill here in Boston and to Capitol Hill back in Washington.
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And these are the qualities which, with God's help, this son of Massachusetts hopes will characterize our government's conduct in the four stormy years that lie ahead.
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Humbly I ask His help in that undertaking--but aware that on earth His will is worked by men. I ask for your help and your prayers, as I embark on this new and solemn.”

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Último dos Kennedy

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Os Estados Unidos perderam hoje um dos seus mais relevantes Senadores e o mundo viu partir um insubstituível defensor dos oprimidos, um incansável lutador pelos direitos humanos, um humanista e um apologista da justiça e da solidariedade.

A morte de Edward Kennedy representa o fechar de um ciclo, político, social e humano, que marcou uma geração. A mítica família real americana perde o seu representante mais político, o seu representante mais humano e porventura aquele que mais tempo teve para poder partilhar com o povo americano um pouco da sua imensa generosidade.

Há apenas duas semanas, falecia Eunice Kennedy Shriver, a irmã do meio, também ela uma fervorosa humanista. Esta é aliás uma das mais marcantes características desta família, a par da sua vocação católica para servir o próximo e ajudar os outros. Os Kennedy são um exemplo de abnegação e dedicação à causa pública, ao serviço da nação que os acolheu vindos dos confins da Irlanda rural do século XIX.
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A 12 de Agosto passado, Vince Bzdek escreveu no Washington Post um artigo extremamente interessante sobre a família Kennedy, intitulado “The Faces of a 'Royal' Generation Fade Into History”.
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A propósito da morte de Eunice e do eminente desaparecimento de Edward, Vince descreve-nos as variadíssimas facetas desta família. A chegada aos Estados Unidos, o poder e a influência do patriarca, a ligação à igreja, o vício da política, os casos pessoais e a inegável necessidade de vencer e de conquistar que sempre os acompanhou.
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Neste artigo, Vince cita a jornalista e ensaísta Clare Boothe que descreve assim os irmãos Kennedy: "Where else but in Gothic fiction, where else among real people could one encounter such triumphs and tragedies, such beauty and charm and ambition and pride and human wreckage, such dedication to the best and lapses into the mire of life; such vulgar, noble, driven, generous, self-centered, loving, suspicious, devious, honorable, vulnerable, indomitable people?"
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O editorial de hoje do New York Times, dedicado na íntegra ao Senador desaparecido, constitui um bom exemplo da sua importância para a América e para os Americanos. A sua luta afincada para reformar o sistema de saúde poderá funcionar como uma mais valia importante, no momento actual. O esforço adicional que falta ao Presidente Obama para aprovar a mais polémica reforma do sistema de saúde dos últimos anos.


Obama perde seguramente um dos seus principais aliados e talvez aquele que mais o projectou para a vitória de Novembro passado. Para sempre ficará o seu inflamado discurso na convenção democrata, há cerca de um ano atrás: “My fellow Democrats, my fellow Americans, it is so wonderful to be here, and nothing is going to keep me away from this special gathering tonight. I have come here tonight to stand with you to change America, to restore its future, to rise to our best ideals and to elect Barack Obama president of the United States.”

quinta-feira, 30 de julho de 2009

País de Ébrios!

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Os portugueses têm um passado grandioso e destemido. Deram mundos ao mundo e ajudaram a desvendar paragens desconhecidas, marcaram pela diferença na colonização, foram mais amistosos e conseguiram integrar-se com mais facilidade, foram corajosos e audazes e deram um contributo essencial para delinear o mapa do mundo.
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Impulsionados pela reconquista e pela procura de alternativas às rotas do comércio no Mediterrâneo, tiveram rasgos de génio e introduziram inovações tecnológicas notáveis em termos de ciência náutica, cartografia e astronomia. Desenvolveram as primeiras embarcações capazes de navegar em mar aberto e foram eles os primeiros a utilizar a caravela e a desenvolver as velas triangulares que lhes permitiam ziguezaguear contra o vento e explorar zonas cujo regime dos ventos era desconhecido.
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Foram os portugueses que iniciaram a Era dos Descobrimentos europeus que durou três séculos (XV a XVII) e que veio a mudar para sempre a fisionomia e a organização política mundial, tal como ela existia na altura.
Desde a conquista de Ceuta, em 1415 até à entrada em Macau, em 1557, os portugueses viajaram pelo mundo conhecido e entraram pelo desconhecido. Navegadores como Gil Eanes, João Gonçalves Zarco, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães, Gonçalo Velho Cabral, Diogo Cão, trouxeram para a coroa portuguesa a jurisdição e o controlo de locais próximos como as Canárias, a Madeira, Cabo Verde e os Açores. Mas foram eles também que nos levaram mais longe; a sua audácia permitiu-nos dobrar o Cabo da Boa Esperança e inaugurar a maior estrada comercial do mundo – o Caminho Marítimo para a Índia. Em 1500, desvendámos o Brasil e explorámos as suas riquezas, colonizámos e fomos colonizados, convivemos e assimilámos.
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Chegámos ao Sul da China com Jorge Álvares em 1513, o primeiro europeu a alcançar e a visitar o território que actualmente é Hong Kong. Alcançámos o Japão em 1543 e mais uma vez fomos os primeiros europeus a conseguir tal feito, segundo relata Fernão Mendes Pinto. Tínhamos chegado à Terra Nova alguns anos antes, com Gaspar Corte Real e alcançávamos, então, um domínio tão significativo que conduziu ao estabelecimento com a Espanha de um dos mais importantes tratados da história. O Tratado de Tordesilhas dividiu o mundo em duas partes. Portugal ficou com as terras "descobertas e por descobrir" situadas antes da linha imaginária que demarcava 370 léguas (1.770 km) a oeste das ilhas de Cabo Verde, e a Espanha ficou com as terras para além dessa linha.

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Desde então muito se alterou e o nosso poder, a nossa riqueza e a nossa influência no concerto das nações esfumaram-se. Vivemos de recordações vãs e de desígnios perdidos, somos um país pobre e inculto onde proliferam videirinhos e chico espertos e não conseguimos guindar-nos para níveis de desenvolvimento e de riqueza sequer próximos do que já tivemos. As nossas estatísticas são débeis e reveladoras do país estagnado que somos, dos atrasos vários de que padecemos e uma falta de esperança generalizada abate-se todos os dias sobre nós. Hoje vivemos num país de promessas, onde a mentira é dona e senhora, onde a ética é uma ficção e o clientelismo uma realidade. Vivemos num país adiado onde o concubinato entre política e negócio é uma constante e a cultura do mérito uma ausência.
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São poucas as áreas onde ainda possuimos alguma relevância e alguma vantagem. Temo que até essas venham a desaparecer, mas este será certamente o meu pessimismo natural a falar. Tomara que esteja enganado, que o nosso futuro seja risonho, que as nossas vantagens se multipliquem, que as nossas competências se revitalizem. Enquanto isto não acontece, temos que nos resignar a alguns feitos menores, somos o 4º maior consumidor de vinho per capita do mundo e, sendo o Luxemburgo o 1º, com cerca de 16% de população portuguesa, não sei se não ficamos ainda mais bem classificados.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Vamos relativizar!

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Depois de algumas semanas ausente, não por falta de temática, mas por motivos profissionais, volto com gosto a estas paragens da blogosfera.

A dois passos de umas merecidas férias e numa incursão por destinos distantes, descobri um conjunto de mapas interessantíssimos que ilustram diferentes realidades e, mais do que isso, nos ensinam a relativizar e a enquadrar.
Assumo a minha paixão pela representação gráfica; mapas, gráficos, tabelas e esquemas coloridos. Constituem uma maneira de traduzir a realidade, uma forma criativa de interpretar e um auxílio enorme à análise e à compreensão.
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O Estado Novo, por exemplo, utilizou abundantemente a propaganda para fundamentar algumas das suas decisões e políticas. Este mapa, “Portugal não é um País Pequeno”, surge durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi necessário fundamentar a política de isolamento e neutralidade com a atenção dada às colónias africanas. A representação em mapa das colónias portuguesas e a sua dimensão comparativa relativamente aos principais países europeus constituem um apelo à grandiosidade da nação, à sua dimensão transatlântica, ao império colonial, à empresa dos descobrimentos e ao nosso poder além fronteiras.
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Conforme é referido na legenda, todos os territórios portugueses perfazem uma área maior do que a Espanha, a França, a Itália, a Alemanha e a Inglaterra em conjunto. Na realidade, é uma explicação defensiva e auto-justificativa, uma espécie de consonância cognitiva nacional para uma iniciativa inconsequente.
Curiosamente, esta prática de representação foi também utilizada para outras situações ou por outros países. Os Estados Unidos, por exemplo, recorrem frequentemente a este tipo de exposição para comparar a sua dimensão, quer em termos territoriais, quer em termos de produto ou de riqueza. Os Estados Unidos são, indiscutivelmente, um país grandioso em muitos aspectos e a utilização de um termo de comparação concreto e real facilita a compreensão deste facto.
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Em termos de produto, ou seja de riqueza gerada, os Estados Unidos conseguem equiparar-se, por grupos de estados, às grandes potências mundiais. O produto da China corresponde ao produto da Califórnia, do Oregon, de Washington State, de Nevada, do Alasca e do Havai.
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O produto gerado pela Inglaterra corresponde ao produto de New York, New Jersey, Pennsylvania, Delaware, Maryland e Washington DC, em conjunto, e assim sucessivamente para a Alemanha e para o Japão.
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Na sequência deste tipo de representação, utilizou-se a mesma filosofia para retratar a população em termos comparativos. Utiliza-se neste mapa as bandeiras de países com população similar à dos estados americanos, onde se encontram representados.
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Ou ainda este mapa do Brasil, de 1957, similar ao das colónias portuguesas e utilizado para traduzir a grandeza efectiva do Brasil no quadro das nações poderosas de então. Dentro do território brasileiro cabem as várias potências europeias, e este pode ainda ser facilmente comparado, em termos de dimensão geográfica, a toda a América do Sul sem o Brasil, ou aos Estados Unidos sem o Alasca.
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O Brasil é o 5º maior país do mundo, depois da Rússia, do Canadá, dos Estados Unidos e da China. Foi descoberto pelos portugueses, fala português, constitui o principal representante da língua portuguesa no mundo e é por nós tão esquecido e desaproveitado. Não nos podemos esquecer que será graças ao forte crescimento populacional do Brasil (as Nações Unidas estimam que em 2050 o Brasil tenha 250 milhões de pessoas e seja a 5ª economia do mundo em termos de produto) que poderemos esperar um crescimento exponencial no uso do português.