A distância e o afastamento ajudam-nos a avaliar os assuntos e a melhor compreender o nosso quotidiano. É salutar mudarmos as nossas rotinas, alterarmos os nossos hábitos, contactarmos com pessoas diferentes, conhecermos estilos de vida novos, formas de estar novas, uma comunicação social diferente, modos de trabalho diferentes, comidas diferentes, roupas diferentes, climas diferentes. A diferença ajuda-nos a valorizar e a apreciar, a definir e a aperfeiçoar os nossos gostos e a melhor perceber o que é realmente essencial para a nossa vida.
Estou há três meses afastado de Portugal, longe da realidade de sempre, da televisão de sempre, dos jornais de sempre, dos jornalistas de sempre, dos políticos de sempre, das pessoas de sempre. Por causa da distância o meu contacto é feito por via cibernaútica, navego pelos nossos jornais e folheio as nossas revistas, não consigo ver televisão portuguesa nem ouvir rádio o que restringe o leque de escolhas e condiciona a mensagem recebida e consequentemente, influencia a minha análise.Confesso que ver Portugal à distância de um écran me ajuda a compreendê-lo melhor, não necessariamente a apreciá-lo mais, mas acima de tudo a interpretá-lo com maior rigor e a ter vontade de o melhorar, de o alterar e de o aperfeiçoar.

droga” (Público); “Portugueses serão menos 700 mil em 2050” (Público); “Relação obriga a rever data da entrega de Esmeralda ao pai” (Diário de Notícias); “Psicólogos atendem cada vez mais polícias” (Diário de Notícias); “Mais agressores e vítimas licenciados” (Diário de Notícias); “Avaliação: Sócrates não recua e defende ministra da Educação” (Portugal Diário); “Carla Matadinho posa em lingerie” (Portugal Diário); “Centenas de computadores Magalhães entregues em Baião” (Diário de Notícias);A esta distância é com alguma tristeza que leio estas parangonas, é com algum desalento que as interpreto e é sobretudo com uma imensa falta de esperança no futuro que as analiso.







Se inicialmente funcionou como uma aposta na novidade, na juventude e no facto de ser mulher, tem-se vindo a revelar um empecilho constrangedor e até humilhante para a campanha McCain. Ela consegue de facto, reunir multidões e cativar eleitorado, aqueles que se identificam com ela, os que apreciam a sua beleza, os conservadores indefectíveis, os quadradões da ruralidade americana, enfim uma América profunda, tão profunda que não tem capacidade para ver além do buraco onde está metida.
Apesar de tudo a Sra. Palin não tem culpa, ela é mesmo assim, genuína, pretensiosa, ridícula e inconsequente. Mas de McCain esperava-se mais, muito mais, um experiente e corajoso senador, várias vezes condecorado, herói de guerra e profundo conhecedor da politica internacional. McCain foi castigado pelo seu espírito eleitoralista, por ter colocado os interesses do seu partido acima dos interesses do país, por subestimar os americanos e, acredito, por desconhecer as verdadeiras qualidades da Sra. Palin. Um politico que falha desta forma tão arrasadora não merece vir a ser Presidente de um país com a importância, a dimensão e o alcance dos Estados Unidos.